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A melhor arma do cidadão é o voto

A história de 2018 ainda não está completa, mas podemos, já passado meio ano, afirmar que a marca deixada neste primeiro semestre será a de total descrença e cansaço. O brasileiro, que há quatro anos carrega nas costas o peso da crise econômica, do desemprego e da insegurança e assiste atônito o noticiário diário sobre a corrupção, crê estar sozinho em meio à crise, abandonado por aqueles que deveriam representa-lo e defende-lo. É nessa explosão de sentimentos negativos que mora o perigo dos oportunistas.

Não é fácil falar a verdade na política. Em tempos de frases curtas e mensagens rápidas e de pouco apreço pelo diálogo, falar sobre propostas como as reformas necessárias para a modernização do Estado parece maçante e pouco produtivo aos ouvidos leigos. Com certeza seria mais simples e eleitoralmente efetivo apelar aos sentimentos do eleitor, explorando ora o amor ora o ódio, de acordo com o perfil que se deseje atingir.

A estratégia, apesar de duvidosa em termos morais, não é nova e está sendo implementada com relativa eficácia pelos nossos oponentes, seja disparando contra o bom senso ao defender o porte de armas irrestrito, seja criando a narrativa do mártir defensor dos pobres injustiçado por um conluio de ricos enojados pela ascensão de uma nova classe média desprovida de modos. É lamentável.

A desesperança fecha as portas ao diálogo racional e abre espaços para populistas dos mais diversos espectros políticos. Cabe a aqueles que acreditam na democracia e na verdade retomarem as rédeas do debate político e eleitoral e fincarem suas bandeiras.

Pouco a pouco, o brasileiro vai descobrindo formas de participação política. Em 2013, foi às ruas após anos de uma mudez absoluta para descobrir que o grito coletivo tem força e expressão. Tempos depois, foi o apoio popular que permitiu a cassação da presidente Dilma Rousseff, do PT, após um longo período de desgoverno, corrupção e absoluta irresponsabilidade com o futuro dos brasileiros.

Completar esse processo de participação política é necessário e urgente para o Brasil. Em democracias maduras, a arma mais poderosa não é o grito, é o voto. É pela participação eleitoral consciente e por todo o processo de discussão de propostas que a antecede que os brasileiros retomarão os rumos da Nação que sonham em construir. E não há outra alternativa para a efetivação da democracia que não a discussão profunda dos problemas nacionais e de suas soluções.

Não podemos esperar que respostas simples, como uso de armas pelos cidadãos, resolvam o problema da violência. Justiça forte e polícia atuante são necessárias para conter o problema imediato, mas a solução efetiva se dará a médio e longo prazo, com educação de qualidade e atuação do Estado em políticas que gerem renda e perspectivas. E como fazer isso sem discutir o déficit fiscal? Como combater esse mesmo déficit fiscal sem discutir uma reforma profunda do Estado, incluídas aí as reformas previdenciária e tributária?

É sentimento geral que os partidos e os políticos deixam a desejar na representação da vontade popular. E como resolver o problema de representatividade sem uma ampla discussão a respeito da reforma política, do sistema eleitoral, da representação congressual?

O PSDB não cedeu e não cederá ao apelo do discurso fácil. A responsabilidade, característica dos governos tucanos, continuará presente no debate de 2018 mais que nunca e tem em Geraldo Alckmin um defensor à altura. É nossa obrigação, como representantes de um polo reformista e modernizador do Estado, encontrar a melhor forma de apresentar ao eleitor o diagnóstico e as soluções efetivas para fazer o Brasil retomar a rota do desenvolvimento.

Acreditamos na máxima de que o Brasil é o país do futuro, mas é preciso consciência de que devemos nos preparar para ele já, uma vez que a rapidez ou a demora de sua chegada se dará, em grande medida, pelas decisões que tomarmos em outubro. Não é a explosão do disparo de armas de fogo que devolverá ao brasileiro a segurança, mas a erupção da democracia em sua forma plena, consagrada pelo voto consciente.

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