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Com ex-presidentes defenestrados, FHC é reserva moral

Inteiro sobrou apenas Fernando Henrique Cardoso. Dos 4 presidentes da República eleitos após a redemocratização, Collor e Dilma sofreram impeachment, e Lula, condenado pela Justiça, aguarda a prisão. Triste realidade.

FHC virou um oráculo da política nacional. Graúdos do empresariado, militares de alta patente, líderes da situação, e também da oposição, famosos da comunicação, embaixadores mundiais, todos querem com ele estar, compartilhar uma informação, ouvir um conselho, buscar, talvez, uma luz para o Brasil.

Para desgosto de seus detratores, FHC se tornou uma referência nacional na busca dos caminhos do amanhã. Desde antes, ainda na academia, o professor apelidado de “príncipe da sociologia mundial” cultivava o gosto da interlocução, fazendo da paciência sua arma predileta.

FHC é um grande virtuose das ideias. Quem o definiu assim foi Francisco Weffort, seu companheiro da USP. Sua obra, vasta, sempre focou a mudança, o movimento, na economia e na sociedade; ele não perde tempo com o passado, se importa com o futuro, aquilo que virá. Zero preconceito. Assim se interessou pelo recente drama das drogas. Ou pela sociedade digital, conectada em rede.

Fernando Limongi, parceiro do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), certa vez destacou em FHC sua “fuga à resposta convencional”. FHC não se prende a dogmas, escapa dos simplismos, gosta da complexidade. Sua formação intelectual e seu ativismo acadêmico o conduziram à ação partidária. Enfrentar a tosca política com o raciocínio elaborado.

FHC teve papel destacado na redemocratização do país. Depois, junto ao MDB de Ulisses Guimarães, o então senador foi decisivo na sistematização da Constituinte de 1988, ajudando a redigir a nova Carta. Hábil e atencioso, chegou ao Planalto conversando com o povo, explicando como enfrentar o fantasma da inflação. Na Presidência da República, implantou medidas estruturantes que colocaram o país no trilho do desenvolvimento. Aí Lula foi eleito.

Lembro-me bem, como tantos de nós, quando FHC transmitiu a faixa presidencial para Lula. Atacado pelo PT sem piedade desde o plano Real, mostrou magnanimidade naquele momento solene. Estava orgulhoso. O operário no poder, acreditava, poderia radicalizar sua gestão, ir a fundo para redimir o passado injusto da pátria, vencer o atraso oligárquico. Foi o maior equívoco de sua vida.

Lula e seus asseclas, sem pestanejar, logo criaram a narrativa da “herança maldita” para desconstruir o governo anterior. FHC representava uma incômoda sombra para Lula. Quase o conseguiram, contando com a trágica omissão do PSDB. Comandados pelo perverso José Dirceu, inventaram mentiras sobre a privatização, mudaram nome de programas, atacaram sua honra.

O tempo passou. Agora, demorou, mas a história forneceu a resposta. Enquanto Fernando Henrique é hoje procurado para ajudar o país a vencer a crise, Lula é ajudado pelos seus advogados a escapar da cadeia. FHC brilha, e alegremente se rejuvenesce; Lula empalidece, e tristemente envelhece.

Defenestrados, Collor, Lula e Dilma perderam a moral no lamaçal da corrupção. Fernando Henrique Cardoso se tornou uma reserva moral da nação brasileira. Veremos qual será o destino do presidente eleito em 2018.

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