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O novo Brasil

Por Miguel Haddad

É do sociólogo Darcy Ribeiro uma das sínteses mais apropriadas para descrever a trajetória nacional: vamos aos trancos e barrancos. Não é de outra maneira que estamos lutando para sair de umas das maiores crises da nossa história, que ameaçou o status recém-conquistado de nação emergente com o retorno à triste condição de país subdesenvolvido.

A pior consequência da irresponsabilidade desses governantes que nos deixaram como legado milhões de desempregados não foi, todavia, a desorganização da economia nacional. O efeito mais nocivo dos seus desmandos é o manto de descrença no nosso futuro, atiçada diariamente, ao longo dos últimos anos, pela revelação da deslavada corrupção daqueles que diziam serem os campeões da moralidade.

No entanto – aos trancos e barrancos – estamos indo em frente. As instituições, em seus momentos decisivos, enfrentando lobistas poderosíssimos, têm conseguido avançar, como se viu pela decisão que acaba de tomar o Supremo.

A ideia recorrente de grande parte dos brasileiros a respeito das ações que procuram punir os responsáveis pelo mecanismo instalado na cúpula do Estado – “não vai dar em nada” – não condiz mais com a realidade dos fatos.

Estamos assistindo a um dos grandes momentos da história nacional. Se alguém dissesse, algum tempo atrás, que veríamos tantos poderosos, que agiam escudados pela certeza da impunidade, tornarem-se réus em inquéritos e serem de fato punidos, independente do cargo, seria visto, na melhor das hipóteses, como um ingênuo, senão como um perfeito idiota. Não vai dar em nada, repetiam sempre os que se consideravam mais espertos.

Os fatos estão aí para mostrar que isso não é verdade. A certeza da impunidade que permitiu os desmandos do alto escalão da elite empresarial ou política brasileira tem os dias contados.

E por uma razão muito simples: o povo reagiu. Foi para as ruas, protagonizando as maiores manifestações públicas da nossa história e apoiou, com sua voz amplificada pelas redes sociais, nos momentos decisivos, as ações que voltadas para o desmanche dessas quadrilhas.

Hoje ficou claro a todos que esse gênio não volta mais para a garrafa. E é esse – o da participação popular – o caminho certo para a construção do novo Brasil, livre de tutela e de salvadores da pátria.

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