Principal braço político do governador Geraldo Alckmin (PSDB), o futuro chefe da Casa Civil, Edson Aparecido, disse em entrevista ao Estado que as obras que o tucano prometeu entregar no próximo mandato terão “significado para o País”, e não só para São Paulo.
O PSDB perdeu o comando de Estados importantes nas eleições deste ano, em especial Minas. No que isso afeta a construção da candidatura do PSDB à Presidência em 2018?
Foi uma perda importante. Historicamente, os dois maiores Estados, há muito tempo, vinham sendo dirigidos pelo PSDB. São Paulo continua, Minas nós perdemos. É evidente que isso tem impacto, primeiro sob ponto de vista da repercussão no Estado, bem como do ponto de vista da repercussão nacional. Nada que o partido não possa lá se reestruturar. Lá o partido vai se preparar para recuperar o Estado rapidamente. Não tenho dúvida disso.
O que Alckmin tem que Aécio Neves não tem, e vice-versa?
Cada um tem sua formação política, sua visão de mundo. Eu acho que isso é que é importante num partido político. Ter figuras e lideranças do porte do governador e do Aécio. Cada um tem seu estilo, tem seu jeito. Eu acho que eles se complementam. E é isso que fez com que o partido tivesse o resultado eleitoral (em São Paulo).
Aqui em São Paulo, o governador terá um vice do PSB. Com perspectivas futuras, no que isso ajuda para uma nova candidatura tucana à Presidência?
Ajuda o partido nacionalmente. O que a gente fez aqui foi um fato histórico. A gente conseguiu atrair um partido que sempre esteve no campo da oposição, embora sempre tenha tido excelente relação, uma relação respeitosa com o PSDB. Acho que isso abre uma perspectiva de a gente poder construir uma relação com o PSB no plano nacional ao longo dos próximos quatro anos e fazer com que os dois partidos estejam juntos num próximo desafio presidencial.
Como fazer para que o cartel de trens não se torne um ponto de questionamento em 2018?
A gente já passou pelo episódio na eleição estadual. Conseguimos mostrar que o governo foi vítima disso. Se teve alguma articulação do cartel, ela se deu no campo das empresas. Não no campo da articulação do governo com as empresas. Acho que foi tão bem feita, tão verídica e tão contundente a defesa do governo do Estado que esse episódio praticamente não surgiu na eleição estadual. Nós até imaginávamos, no início da campanha, os pontos que mais impactariam na eleição: a questão do cartel, a segurança pública, a crise hídrica e os 20 anos do PSDB no poder. Se for fazer uma comparação de todas essas quatro questões, o que talvez menos tenha afetado ou surgido no debate da campanha foi o cartel.
Qual a diferença do cartel de trens para o da Petrobrás?
São coisas bastante diferentes. Efetivamente, no episódio da Petrobrás, estão surgindo fatos. E esses fatos, de alguma maneira, têm uma comprovação importante, um leque de envolvimento mais amplo. Aqui (em São Paulo) a gente conseguiu dar uma resposta contundente à questão, mesmo quando se tentou politizar, fazer o envolvimento de políticos nessa questão. E a própria Justiça, ao longo do tempo, está se posicionando em relação a isso.
Publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo em 29 de dezembro de 2014