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20 de abril, dia do diplomata brasileiro

Tania Malinski *

20 de abril é a data de nascimento do Patrono de nossa Diplomacia, José Maria da Silva Paranhos Junior, o Barão do Rio Branco. Assim como Luis Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, tornou-se referência máxima da história do Exército brasileiro, a figura do Barão do Rio Branco sintetiza as aspirações permanentes de nosso Serviço Exterior.

Juca Paranhos, como era chamado em menino nosso patrono, nasceu no Rio de Janeiro em 20 de abril de 1845. Estudou no Colégio Pedro II e ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo, vindo a concluir seu bacharelado na cidade do Recife. Neste período escreveu seu primeiro trabalho histórico, intitulado Episódios da Guerra do Prata. A época dos estudos de Direito também foi a de identificação de Paranhos com a causa abolicionista, que o levou inclusive a registrar censura a políticas escravistas em dissertações acadêmicas. Aos 20 anos de idade, Juca Paranhos escreveria o Esboço Biográfico do General José de Abreu, Barão de Serro Largo. Aos trinta, se tornaria nosso primeiro historiador da Guerra do Paraguai.

Antes de exercer a diplomacia, José Maria da Silva Paranhos Junior foi professor de História no Colégio Pedro II, Promotor Público de Nova Friburgo, jornalista e político, tendo representado o Mato Grosso como deputado-geral. Em 1878 seria nomeado Cônsul do Brasil em Liverpool e durante alguns anos que se seguiriam elaboraria a obra História Militar no Brasil. Dez anos mais tarde, por coincidência no ano da abolição da escravatura em nosso País, receberia o título de Barão.

Bacharel e estudioso da influência dos fatores históricos e geográficos sobre as inclinações dos estados, foi como diplomata que o Barão pode colocar todo seu conhecimento em História, Geografia e Direito a serviço da nação brasileira. E o fez com maestria ímpar, resolvendo em definitivo sucessivos litígios de fronteira com desfecho favorável ao Brasil. Por meio exclusivo da habilidade negociadora solidamente fundamentada em argumentos legais, Rio Branco acrescentou mais de 900 mil quilômetros quadrados ao mapa de nosso País. Por isso pode-se dizer que sem ser militar, foi estrategista; sem ser soldado, foi herói; mesmo sendo historiador foi visionário; e mesmo sendo aristocrata foi popular, respeitado em vida como figura histórica, singelamente querido por seus compatriotas como poucos homens de estado no Brasil.

Graças ao Barão, resolveríamos questões limítrofes com a Argentina relativas ao Território das Missões e com a França relativas ao Amapá. Também em razão de seus esforços seria definido o Território do Acre, mediante a assinatura do Tratado de Petrópolis. O Barão ainda firmou tratados de paz com o Equador, Guiana Holandesa, Peru e Colômbia, delineando as fronteiras entre o Brasil e seus vizinhos na América do Sul.

Com efeito, o Barão fez valer o lema nossa força vem da união de nossa gente, e percebeu nosso povo como um povo soberano. Mas sabedor de que não haveria mágica possível ante o realismo das relações internacionais, tinha plena consciência de que o exercício do soft power da política externa deveria estar alicerçado no hard power do poder nacional. Por isso, foi ele grande incentivador do reequipamento da Marinha brasileira, que resultou na aquisição dos encouraçados São Paulo e Minas Gerais.

Digno de nota também é o fato de que a política externa do Barão representou uma continuidade entre o segundo império e os primeiros anos de nossa república já que ele serviu tanto a Dom Pedro II quanto a quatro presidentes, sucessivamente: Rodrigues Alves, Afonso Pena, Nilo Peçanha e Hermes da Fonseca.

Vale mencionar que, apesar de monarquista convicto, soube o Barão colocar o interesse nacional acima de quaisquer convicções políticas, defendendo ardorosamente o Brasil como um todo. Nessa continuidade das funções que assumiu durante regimes distintos de poder se intui a permanência e solidez de sua obra fronteiriça, que, sedimentando camadas da nossa história, tornou-se símbolo do ideal coletivo de várias gerações de nacionais. O legado de Rio Branco beneficia a todos brasileiros sem distinção, e nisso talvez resida a constância de seu valor como ícone de nossa nacionalidade, como referência que arregimenta sentimentos e razão, que cria pontes simbólicas para a integração nacional de fato.

A legenda escolhida pelo Barão ainda em sua mocidade para constar de seu “ex libris” era Ubique patriae memor, que significa lembro-me da pátria em todos os lugares. O lema, que hoje consta das medalhas da ordem de Rio Branco, foi vivido na rotina diária de um diplomata estadista cuja vida pessoal significou a concretização do Tudo pela pátria que norteia os herdeiros de Tamandaré.

Limites claros de território e identidade nacional continuam sendo condição sine qua non para o exercício da soberania em sua plenitude pois são o que possibilita o reconhecimento mútuo entre nações distintas para o encontro e a cooperação internacional.

O Barão do Rio Branco foi um estadista no que respeitou e promoveu aquilo que é próprio do estado: seus bens públicos, seu caráter nacional, seu ordenamento interno e sua memória histórica. O que sobressai de sua biografia não é tanto a profundidade e extensão de seu conhecimento nem tanto a especificidade de sua formação e origem, mas o fato de que tudo o que ele foi como brasileiro e homem público, pôs a serviço de sua população e de sua terra.

Como conclusão, trago-lhes palavras do próprio homenageado de hoje. Trata-se de trecho de um discurso enunciado no Clube Naval, em 1o de dezembro de 1902, ano em que o Barão assumiu a pasta das Relações Exteriores:

Se nos últimos anos me foi dada a felicidade de poder prestar serviços de alguma relevância que a dignidade do Congresso Federal e o ardente patriotismo do povo brasileiro tanto têm encarecido, devo confessar que só os pude prestar porque defendia causas que não eram de uma parcialidade política, mas sim da nação inteira. Toda minha força, toda a energia e atividade que pude desenvolver nas minhas últimas missões, resultaram não só da minha convicção no nosso bom direito, mas principalmente da circunstância de que eu me sentia apoiado por todo o povo brasileiro, inteiramente identificado com ele.

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