Alberto Goldman
FHC tem declarado que Dilma tem a possibilidade de desmontar o sistema de corrupção montado no governo Lula.
Discordo. Isso até poderia ser a vontade dela, até porque tem consciência de que no caminho que vai, não se sabe se chegará ao fim do seu mandato. Mas acho que não o fará por dois motivos: o primeiro motivo é que está comprometida como o próprio sistema que foi montado no governo Lula. É parte dele. Foi beneficiada por ele, é seu sub produto.
O segundo motivo é que os congressistas eleitos são também, em grande parte, consequência do sistema corrupto que foi montado: a cooptação de entidades sindicais e comunitárias, o uso ilegal ao aparelho estatal, o comprometimento com interesses privados. Deputados e senadores que se constituem na base de sustentação do governo nasceram nesse sistema e não tem condições – nem querem – romper com ele.
O quadro é ainda mais grave que o que encontramos no governo Collor. Lá os parlamentares não tinham sido produto de um sistema de corrupção anterior que teria tido a possibilidade de elegê-los e mantê-los servis aos interesses privados. Além do que, o vice-presidente de Collor era Itamar Franco, homem de história política sem qualquer restrição. Agora, o vice-presidente também é produto do mesmo sistema construído por Lula. Lembremos ainda o que era o PT no governo anterior a Collor e durante esse mesmo: um partido de oposição, popular e fruto das lutas pela redemocratização do país. Seus parlamentares tinham sido eleitos sem qualquer comprometimento com interesses escusos. Agora, o quadro é outro. O PT faz parte, é mesmo a espinha dorsal, do próprio sistema montado no governo Lula.
Só um amplo movimento popular, mais amplo e profundo do que se deu no governo Collor poderá modificar a situação. Talvez isso dê à Dilma, se ela tiver tutano para tanto, a coragem para enfrentar uma mudança profunda. Nós, da oposição, não teremos por que não apoiar esse movimento.