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Andrea Matarazzo, vereador eleito pelo PSDB com a maior votação do partido (117 mil votos) afirma haver um “excesso de pragmatismo” na aliança entre o prefeito Gilberto Kassab (PSD) e o PT, de Fernando Haddad. “Acho no mínimo estranho até porque a gestão do prefeito foi demonizada na campanha”, declarou Matarazzo.
O PSDB sempre criticou o modo de o PT fazer oposição. Que tipo de oposição pretendem fazer na Câmara Municipal?
Vamos fazer oposição sem adjetivos e de forma responsável, que é a nossa cara. Temos que exercer o papel para o qual fomos eleitos, que é fiscalizar o Executivo e propor legislação.
O partido vai votar contra bandeiras de Haddad, como o Bilhete Único Mensal e o fim da taxa de inspeção veicular?
O PT tem maioria na casa, segundo a composição que já foi anunciada do PSD com o PSB. Não precisamos ser contra. Mas vamos ver como fazer. Pessoalmente, também não sou a favor do fim da taxa de inspeção porque você vai penalizar a população como um todo. É o Tesouro arcando quem tem carro, e quem não tem vai pagar.
Como o sr. avalia a aliança do PSD com o PT? Kassab já falava em ‘apoio incondicional’ no dia seguinte ao resultado das urnas.
Ainda não está claro, porque a bancada de vereadores fala uma coisa, e o prefeito falou diferente. Acho no mínimo estranho até porque a gestão do prefeito foi demonizada na campanha. Acho estranho quererem o apoio e não entendo que o prefeito possa dar um apoio incondicional assim. Do PT nem estranho porque deles não devemos estranhar nada. Para mim, é um pouco de excesso de pragmatismo político do prefeito.
Falta coerência?
Não, diria que é um certo excesso de pragmatismo político.
A aliança com o PT passa pelo desejo de Kassab preservar a gestão de eventuais devassas?
Não sei. Acho que no fundo vai na linha do excesso do pragmatismo político e dos sinais que o prefeito já tinha dado de apoio ao PT nacional. E também do desejo dos seus vereadores, que já vinham negociando isso fazia mais de duas semanas, segundo a imprensa.
Alguns tucanos culparam a gestão Kassab pela derrota.
Essencialmente a derrota está relacionada ao fato de o PT ter conseguido vincular a saída do Serra da Prefeitura à gestão mal avaliada do Kassab. Não conseguimos separar uma coisa da outra, até porque são coisas diferentes. O prefeito foi eleito.
Kassab está traindo o PSDB?
Não. Terminou a eleição. Está tomando um novo rumo. Fez uma nova escolha, pragmática.
PSDB errou ao não renovar?
Não. Tenho convicção de que o Serra tinha mais condições políticas de ganhar a eleição.
Mesmo com a rejeição alta?
A rejeição veio depois. No início, não tinha essa rejeição. Ela veio à medida que colaram a saída da Prefeitura à má avaliação. Não conseguimos mostrar o que a Prefeitura fez no nosso período nem desvincular a saída dele da segunda gestão.
Serra dará espaço para renovação do PSDB paulista?
Sempre deu. Isso não será um problema. Esse é o menor dos problemas do PSDB.
Qual o maior?
Hoje, a falta de comando.
Qual papel que Serra deve ter no PSDB? Presidente do partido?
Ele terá sempre o papel que ele teve. É referência e um dos melhores quadros que temos. Se não o melhor em atividade.
E candidato a presidente?
Não parei para pensar. A eleição mal acabou.
Acha que a vez é do Aécio?
Temos muito tempo para pensar nisso. Mais dois anos. Acabamos de sair de uma eleição…
Então o PSDB não tem candidato a presidente definido?
Não tem. Acho que hoje o Aécio está mais bem posicionado. Isso é um fato. Até porque o Serra estava disputando uma eleição até agora. Mas tem muito tempo pela frente. Precisamos agora analisar o resultado da eleição no Brasil todo. E aí sim começar a trabalhar para 2014.
(Fonte: O Estado de S.Paulo)