Agência Tucana
Brasil precisa de recursos urgentes em infraestrutura, dizem tucanos
Senadores do PSDB disseram nesta terça-feira que os investimentos realizados pelo governo Lula nos últimos sete anos não serão suficientes para eliminar os gargalos na infraestrutura de transporte, energia e logística que ameçam paralisar o país e afetar o seu crescimento na próxima década. “O Brasil precisa investir quase seis vezes mais do que tem feito para evitar um apagão logístico”, afirmou Alvaro Dias (PR).
O senador lembrou que os recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) alocados no orçamento da União em 2009 são de R$ 27,9 bilhões. No entanto, disse ele, até o começo deste mês foram pagos 20% do prometido pelo governo em infraestrutura, aproximadamente R$ 5,6 bilhões, conforme dados do Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal).
Estudo da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) revela, porém, que o Brasil precisaria investir muito mais. A Abdib sugere investimentos na ordem de R$ 160,9 bilhões por ano em infraestrutura, R$ 24,1 bilhões apenas em transporte e logística. “Isso quer dizer 5,8 o valor investido este ano, supondo que todo ele seja aplicado o que, pelo ritmo dos desembolsos, não será feito”, prevê Álvaro Dias.
Segundo recente estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a diferença entre o que o governo pretende investir na modernização dos terminais portuários do país e o que efetivamente seria necessário para isso é de mais de R$ 38,9 bilhões. É que o PAC para o setor prevê investimentos de R$ 3,1 bilhões quando, de acordo com o IPEA, são necessários R$ 42 bilhões.
Para o senador Tasso Jereissati, além de pequenos, os recursos para os portos no país ainda correm o risco de sequer serem totalmente aplicados. “Desde que o PAC foi criado, apenas 2,5% do orçamento para os portos foram executados”, afirmou.
Para o professor e diretor do Instituto de Pós-graduação e Pesquisa em Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppead), Paulo Fleury, “o déficit nos investimentos em infraestrutura no país é enorme”. Ele destaca “estes investimentos representam no máximo 0,4% do PIB”. Segundo levantamento do Instituto de Logística da UFRJ as empresas brasileiras gastam 56% a mais que as norte-americanas para fazer com que a produção alcance o destino final.
No Brasil o custo logístico equivale a 12,8% do PIB. Nos Estados Unidos, obedecidos os mesmos padrões, este custo é de 8,1% do PIB. “É evidente que estamos nos aproximando de um gargalo que se tornará irremediável”, ressalta o senador Alvaro Dias.
Além de insuficientes, os investimentos em infraestrutura são precários, como indica auditoria feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em contratos para restauração e manutenção rodoviária celebrados pelo Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). Segundo revelou a auditoria, o programa de recuperação de rodovias do governo federal apresenta deficiências de planejamento e de projetos que diminuem a vida útil dos reparos feitos.
“Este tipo de problema apontado pelo TCU não é novo. Há dois anos, rodovias onde foram investidos emergencialmente R$ 76 milhões tinham buracos poucos dias depois”, lembrou o senador Arthur Virgílio (AM).


