O MST é destaque novamente da imprensa devido à invasão de uma fazenda no interior de São Paulo, a qual destruiu sete mil pés de laranja. O MST alega que foram ‘apenas’ três mil. Mais importante que discutir sobre números, devemos debater sobre o ato em si._x000D__x000D__x000D_É certo que a propriedade deve atender a sua função social. Está previsto no inciso XXXIII do art. 5º da Constituição Federal. Atender a função social seria atribuir a cada coisa sua verdadeira utilidade. Um carro levando uma família ao litoral para passar um feriado prolongado atende sua função social. Mas um carro parado na garagem não atende sua função social. Uma fazenda com um milhão de pés de laranja certamente atende a sua função social._x000D__x000D_Se uma propriedade não atende essa função, não seria justo entregar essas mesmas terras a pessoas que realmente precisam, que iriam fazer daquela propriedade sua moradia, que iria plantar, criar animais, montar um pequeno comércio e assim garantir seu próprio sustento e o de sua família” Temos no instituto da usucapião um ótimo instrumento para garantir que aquele que dá verdadeira função social a uma propriedade, atendendo aos quesitos previstos na lei, possa ser reconhecido como proprietário. _x000D__x000D_Nesse ponto, não há como não concluir que a reforma agrária é um instrumento de justiça social do Estado e que essa reforma deve ser sempre estimulada, com um controle rigoroso dos órgãos governamentais para garantir, de forma justa, que uma propriedade improdutiva e que não atende a sua função social, possa passar para as mãos de quem realmente precise. _x000D__x000D_O que não podemos confundir é a legitimidade da necessidade de reforma agrária com a ação do MST. São coisas distintas. Arrisco a dizer totalmente distintas. A invasão em si já é algo a ser discutido, mas teria certa justificativa uma vez que o Estado não é infalível com relação à política agrária. O que realmente preocupa é que cada vez mais as invasões deixam de ter uma conotação social. Cada vez menos o MST representam os sem-terra e politizam mais e mais seu movimento. _x000D__x000D_Voltando a já citada invasão. O que o MST faz hoje é relativizar a função social. Qual a justificativa para o MST invadir uma fazenda produtiva, com mais de um milhão de pés de laranja” Mesmo que o terreno seja da União, qual a legitimidade do ‘movimento’ para invadir essa propriedade, hostilizar trabalhadores que, como eles, são pessoas pobres, que ganham pouco e que precisam apertar o cinto pro salário durar até o fim do mês” Não há justificativa, simplesmente não há._x000D__x000D_A relativização é sempre perigosa. Cometer atos criminosos em nome dessa relativização, destruindo máquinas, plantações e furtando aqueles que tem tanto quanto eles, é mais perigoso ainda. É um tiro certeiro no peito da justiça social. Definitivamente, o MST não representa a luta pela reforma agrária.


