Relatório contabiliza como federais os gastos do governo paulista
Nos balanços do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), apresentados periodicamente pela ministra-chefe da Casa Civil, revela-se que Dilma Rousseff, além de apropriar-se de investimentos, repete prática do governo federal de inflar os números relativos ao programa.
No estado de São Paulo, por exemplo, o oitavo relatório do PAC contabiliza como federais os gastos do governo paulista e de suas empresas públicas, além de empréstimos que serão pagos pelo Estado, não pela União. O objetivo da manobra é fazer com que os resultados do empacado programa pareçam mais verdadeiros e melhores do que são na realidade.
O relatório apresenta um total de R$ 10,45 bilhões como investimentos do governo federal em São Paulo. No entanto, desse total, apenas R$ 1,47 bilhão são recursos do Orçamento da União.
Para o deputado federal Antonio Carlos Pannunzio (SP), os resultados do PAC são irrisórios se comparados com os investimentos feitos pelo governo de São Paulo nas áreas de saneamento, habitação e transporte.
“As obras no estado de São Paulo foram conduzidas com recursos do tesouro paulista. E aí entra o governo federal com sua propaganda inventada para PAC, que não é mais do que um slogan, uma comunicação mentirosa”, criticou Pannunzio.
Números desmentem
Os números desmentem o governo federal. Levantamento da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) mostra que, de R$ 1,65 bilhão contabilizado como investimentos do PAC em habitação, a União investiu apenas R$ 273 milhões. O restante do recurso, no valor R$ 1,14 bilhão, é de responsabilidade exclusiva do Estado. A propaganda da candidata oficial entretanto, contabiliza o total como seu.
Em relação às obras do Rodoanel, inseridas na planilha de custo do PAC, não bastassem os valores estarem desatualizados, o relatório também apresenta o valor total da obra como se fosse efetivamente investido com dinheiro da União. Do total de R$ 4,5 bilhões, a parcela do governo federal é de R$ 1,2 bilhão.
No caso da expansão da linha 2-Verde do metrô, de um total de R$ 2,1 bilhões registrados em investimentos para a realização da obra, a União não participa com um único centavo.
O empreendimento será realizado da seguinte forma: R$ 1,58 bilhão originário de empréstimo que, apesar de concedidos pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Sustentável (BNDES), será pago pela própria Companhia de Saneamento Básico de São Paulo.
Sendo que outros R$ 270 milhões representam a contrapartida para esses financiamentos. Apesar disso, o Planalto faz questão de inventar investimos federais no metrô paulista.
“Isso é um absurdo. Não tem um tostão do governo federal investido no metrô de São Paulo. Foi um empréstimo do governo estadual tomado junto ao BNDES. Esse recurso será pago, e com juros”, afirma o deputado federal Arnaldo Madeira (SP).
Fonte: Agência Tucana


