Tania Malinski *
(…) existiria somente uma forma de levar o Brasil para um sistema mais aberto de participação política: FOMENTAR O PAPEL DE SÃO PAULO NA POLITICA NACIONAL, ao longo de toda sua estrutura de estratificação sócio-econômica, fazendo com que este sistema regional se expanda até predominar sobre as demais áreas do país, urbanas não-industriais e rurais. Simon Schwartzman [grifos nossos]
Faz tempo queria dividir com colegas militantes uma leitura, a do livro São Paulo e o Estado Nacional, de Simon Schwartzman, publicado em 1975 pela editora Corpo e Alma do Brasil, na época sob direção do então Professor Fernando Henrique Cardoso.
Agora que temos um candidato ao governo do estado e um à Presidência, me parece de todo oportuna a referência a este livro. Não vou me alongar sobre os vários argumentos do livro em favor de uma diferenciação do processo político que ocorre em São Paulo com relação ao restante do país, basicamente aqui teria uma forma especial de fazer política, a de representação de interesses (vs cooptação de interesses). Apenas dizer, de início, que sinto-me bem a vontade para tocar nesse assunto pois não sou daqui, mas aqui decidi me engajar politicamente e não foi por acaso. O que quero frisar é que me sinto o suficiente de fora para ter um olhar crítico sobre São Paulo, e ao mesmo tempo me sinto o suficiente paulista de coração para fazê-lo também com algum interesse sincero.
Escolhi São Paulo por que aqui há possibilidade de um debate conceitual, de natureza mais abstrata. Aqui há um sentido de missão e idealismo na tradição da revolução constitucionalista. Aqui há um exercício cotidiano de respeito pela ordem pública e por temas substantivos numa linha mais weberiana, não apenas por picuinha pessoal e clientelismo no estilo enxada e voto. Aqui há um espírito paulista, algo que congrega e une o estado, um pouco como ocorre também no Rio Grande do Sul. Algo formata uma certa identidade estadual de forma muito bem traçada.
Qualquer brasileiro que venha a residir por essas bandas se encanta com o misto de província e atmosfera cosmopolita, com o céu, com o solo, com a riqueza presente no mosaico da população de São Paulo. Ao mesmo tempo, por um motivo ou outro, essa missão paulista teve historicamente e tem tido dificuldade em se firmar no território nacional. Enfim, na hora do voto na urna, algo que toca em especial os paulistas acabaria não tocando o resto dos brasileiros. Será verdade”
Voltando ao livro, Schwartzman afirma algo nesta linha. Ele diz que impressionante e muito pouco compreendido é (…) o fato de o principal Estado da Federação brasileira, São Paulo, nunca ter desempenhado o papel político correspondente à sua importância econômica e demográfica no contexto nacional. Em parte isso se deve a um mérito, por estar o estado de São Paulo menos permeável a fenômenos como clientelismo e cooptação de interesses. De outro, isso acarreta que, no fundo, o motivo pelo qual São Paulo não se espraia nacionalmente seria o mesmo pelo qual o Brasil ainda não conseguiu decolar para um desenvolvimento completo.
Aqui cito de novo o autor: (…) É possível mostrar que, se formas embrionárias de representação política existiram no Brasil, elas tenderam a se concentrar na área de São Paulo. Elas nunca chegaram a ser suficientemente fortes para moldar o quadro político nacional, mas foram suficientemente significativas para manter o Estado de São Paulo como uma entidade politicamente diferenciada dentro do país.
Em suma, a decolagem de São Paulo e do Brasil parece ser um fenômeno conjunto. Mas isso depende de manter-se uma postura humilde perante o resto do País. Nenhum estado federado é melhor do que outro, independente de porte ou vocação regional. São Paulo é Brasil, e tem justamente sua força por ser Brasil, por ter um pouco de tudo.
Pro Brasília Fiant Eximia, pelo Brasil façamos o melhor. Não usando o país e as outras regiões a serviço dos interesses estaduais paulistas, mas servir os interesses nacionais sendo o melhor que o estado pode ser. E servir ao país levando o que São Paulo tem de bom e que pode ser comunicado de imediato do Oiapoque ao Chuí, sua estrutura política madura e pronta, um povo consciente de sua cidadania e governantes honestos, capazes, e voltados para o que os brasileiros precisam. Com essa postura levaremos a alma paulista ao Planalto e muito de São Paulo ao Estado nacional, para o desenvolvimento de nosso país.
Está também certo que o brasileiro é um povo cordial. Ninguém discute que o Presidente Lula é um símbolo da afetividade para uma grande massa de brasileiros. Mas esse recado está dado. O Brasil tem sua voz no mundo, nosso povo ganhou expressão popular e legítima. Agora chegou a hora de avançar, retomar a governança e a soberania de um Estado sério, recolocar o país no rumo certo e DECOLAR.
Tania Malinski, Diretório de Indianópolis São Paulo


