
A China cancelou a compra de 600 mil toneladas de soja brasileira em função da demora na entrega, causada por barreiras logísticas: estradas em más condições e filas cada vez maiores para os caminhões que precisam desembarcar os produtos nos portos brasileiros prejudicam o setor. Somente no porto de Santos (SP), o maior do Brasil, a epera é de mais de dois dias.
O deputado federal Duarte Nogueira (PSDB-SP), titular da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara, alerta para a proximidade de um apagão logístico: “estamos prestes a colher uma safra recorde, de 185 milhões de toneladas de soja. Porém, para exportá-la, contamos com uma rede de transportes que é a mesma de 10 anos atrás, quando a produção era de 110 milhões de grãos. Nessas condições, os problemas são inevitáveis”, declarou.
Segundo o parlamentar, tudo isso afeta significativamente os investimentos dos produtores nacionais. “Estamos perdendo competitividade no mercado externo. De nada adianta os empresários do agronegócio fazerem um bom trabalho se o governo federal não dá a contrapartida, oferecendo uma infraestrutura compatível”, lamentou.
Duarte recorda que as dificuldades registradas em Santos ocorrem também em outras regiões: “os produtores do Paraná, por conta das filas no porto de Paranaguá, preferem escoar as mercadorias no porto do Rio Grande, no estado vizinho, numa viagem superior em mais de mil quilômetros, o que encarece os trabalhos”. Ele ressalta que a situação pode causar impactos também em outros setores. “Corremos risco de perder postos de trabalho e de ter uma balança comercial ainda mais deficitária, o que prejudica o Brasil como um todo. Enquanto isso, a presidente da República prefere fazer propaganda e antecipar sua campanha eleitoral”, concluiu.


