André Pires
(Brasil Econômico)
Na sede do PSDB em São Paulo, o presidente do diretório estadual Duarte Nogueira esbanja otimismo na reeleição de Geraldo Alckmin, ataca o governo petista — que, diz, deixará uma “herança maldita” e garante a união de todos os tucanos na campanha de Aécio Neves em 2014, mesmo com os atritos do passado entre o mineiro e os paulistas. O líder partidário afirma ainda que a presidente Dilma Roussef foi mal orientada por seu marketing político, ao propor um plebiscito inexequível. “Foi um vexame”, sentencia.
O governador Geraldo Alckmin teve sua imagem desgastada com os protestos. Como trabalhar a campanha para 2014? O governador teve uma ousadia responsável. Ele não se omitiu e não enfiou a cabeça no chão, como faz o avestruz. Assumiu sua responsabilidade como governador e tomou decisões. De todos os governantes que foram provocados, ele foi o que menos perdeu. A leitura futura vai ser positiva para a biografia dele.
As pesquisas apontam uma queda de popularidade. Como o senhor a interpreta?
O Alckmin é alguém conhecido e respeitado pelos adversários. É um homem reconhecidamente honesto, trabalhador e dedicado à causa pública. Não acho que tenha surgido algum nome com mais qualificação. O governador tende a ser reeleito, e vamos trabalhar para isso, apresentando propostas. O eleitorado dele tem uma relação sem intermediário, pois ele está sempre presente. Isso faz dele um candidato extremamente forte.
As denúncias de propina no metrô podem impactar na campanha da reeleição?
As denúncias são relacionadas com a empresa que entrou com ação no Cade. Esse assunto nos pareceu uma coisa requentada pelos nosso opositores, principalmente do PT. A leitura que faço é que foi muito mais uma briga empresarial, do que uma questão política e partidária.
Mas é claro que nossos adversários acabaram tentando explorar isso. Se tem alguma acusação a ser feita contra alguém do PSDB, por que não tem nada desde quando surgiu a história há dez anos? Porque não tem provas. O que há é uma enorme luta política e uma tentativa de desgastar a imagem do PSDB.
O PT discursa que é o melhor momento para derrotar o PSDB em São Paulo, mas as pesquisas não demonstram isso. É uma ameaça mesmo para 2014?
O PT até agora não apresentou nenhuma candidatura competitiva e nem propostas. O PT aqui em São Paulo só critica, ao invés de colocar ideias.
Discordo de que vive seu melhor momento, ele vive seu pior momento. Pois está cada vez mais distante dos princípios que a sociedade espera, mais distanciado da conduta ilibada na vida pública e em total dessintonia do discurso com a prática. Está totalmente fora da realidade, como se o eleitor tivesse que engolir suas ideias.
Isso inclui a reforma política?
A reforma política foi uma nuvem de fumaça que a presidente Dilma Rousseff adotou, orientada por marketing político. Tomou uma decisão errada, propondo um plebiscito inexequível. Foi um vexame. O PT vive um momento muito ruim, uma equipe dessintonizada e sem um projeto para o país. Vive apagando incêndios todo dia, pois não tem planejamento.
O PSDB defende a reforma política com outros pontos, entre eles o fim da reeleição. Há quem conteste o partido pedir o fim e lançar o Alckmin para reeleição. Existe uma contradição?
É uma coisa muito simples. Não estamos propondo a quebra da regra agora. Estamos colocando para a eleição de 2018 para não mudar a regra com o jogo rolando. Isso explica tudo.
O PSDB defende a reforma ministerial. Os ministérios viraram moeda de troca por apoio?
Sim. Porque a base do governo federal não é feita em cima de propostas a serem executadas,e sim em função de dividir nacos da administração para conseguir apoio no Congresso. E isso se mostrou insensato. Mesmo com 80% dos deputados e 80% dos senadores, o governo não consegue aprovar qualquer tipo de reforma. Não há um projeto para o país, o que há é um projeto de poder. Faz com que o PT tente aliciar os partidos políticos em cima de troca de cargos e não por um projeto. O PT vai deixar uma herança maldita.
O Aécio Neves é o nome para recolocar o país no rumo certo?
Ele representa energia, juventude e, ao mesmo tempo, é experimentado, pois já foi governador duas vezes. Tem um legado que o qualifica para se colocar como pré-candidato.
E a mágoa que existia do PSDB-SP com ele pela falta de apoio ao José Serra em outras eleições?
Não há mais brigas internas e o PSDB caminha de forma harmônica. Se tivemos problemas lá atrás, elas ficaram por lá.