Uma manobra regimental realizada pela bancada petista na Câmara Municipal de São Paulo antecipou em um dia a votação do aumento de até 35% no valor do IPTU na capital paulista. A votação estava prevista para esta quarta-feira, 30, quando seriam realizados protestos e manifestações populares contrários ao aumento. Cientes disso, os vereadores do PT atenderam a pedido do prefeito Fernando Haddad (PT) e anteciparam a aprovação desse aumento, rompendo acordo feito com os outros vereadores de realizar mais uma discussão com a população antes de votar.
“Tínhamos um acordo com os vereadores do PT para que fosse realizada uma segunda audiência pública, que estava marcada para a manhã de quarta, antes da votação do aumento. Os vereadores petistas romperam esse acordo e impuseram um aumento que vai custar caro aos bolsos dos paulistanos”, explicou o vereador Mario Covas Neto (PSDB), ressaltando a posição contrária ao aumento dos vereadores do PSDB.
O líder do PSDB na Câmara Municipal, vereador Floriano Pesaro, contou que a bancada tucana tentou diversas formas de adiar a votação para que houvesse mais uma consulta à população. “Apresentamos mais de 25 protelamentos e quatro substitutivas ao projeto na tentativa de jogar para amanhã a votação, como estava marcado”, afirmou.
Para Floriano, essa é mais uma demonstração da falta de aptidão ao diálogo do prefeito Haddad e seus seguidores na Câmara. “Não é a toa que a população lhe deu o apelido de Malddad. Ele dá mostras de que não está de acordo com acordos democráticos. Quer apenas passar o trator por cima da oposição e seguir o modelo da última prefeita petista, Marta Suplicy, que teve uma administração marcada pelo aumento nos tributos”, emendou.
Mario Covas rebateu a argumentação dos vereadores que estão favoráveis ao aumento de que essa tributação seria maior para os mais ricos que para os pobres. “Isso é uma mentira. Já existe uma diferença hoje em dia entre o valor pago pelos ricos e pelos pobres. Esse aumento vai pesar no bolso de ricos e pobres. O resto é conversa”, disse.