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A retomada da indústria do ABC

Por Orlando Morando

O desemprego é a maior chaga social do Brasil. Segundo o IBGE, são 13,4 milhões de desempregados -o equivalente a 12,7% dos brasileiros em idade produtiva. Há ainda 4,8 milhões de desalentados (aqueles que desistiram de procurar trabalho) e 13,4 milhões de beneficiários do Bolsa Família. No tal, mais de 32,5 milhões de pessoas são vítimas da enorme crise econômica, resultado principalmente dos 15 anos de governo do PT.

No ABC, o problema é ainda maior: 14,4% dos moradores das suas sete cidades não têm emprego. Talvez o fato de a região ser o berço do PT ajude a explicar o problema.

O emprego foi o centro de minha campanha à Prefeitura de São Bernardo do Campo em 2016. Eu me comprometi com os eleitores a recuperar o dinamismo da economia e voltar a gerar empregos.

Missão difícil. Cidade industrial, São Bernardo sofreu com os erros da política econômica dos governos Lula e Dilma e com os desvios e falhas da gestão municipal, também do Partido dos Trabalhadores. As prioridades foram invertidas. Um museu em homenagem a um ex-presidente hoje preso, que nem chegou a ser concluído, foi tratada como a obra mais importante da gestão.

Sempre soubemos do tamanho de nosso desafio e do esforço que todos precisariam fazer para inverter a roda da crise. A prefeitura deu o exemplo, abrindo mão de privilégios e auxílios, vendendo a frota de carros oficiais e governando com transparência. Mostramos os erros dos antecessores, mas não deixamos que o discurso da herança maldita imobilizasse a gestão.

Com uma administração transparente, eficiente e de prioridades claras, São Bernardo retomou a confiança dos investidores. A prefeitura elevou a classificação de credibilidade financeira, junto à Caixa Econômica Federal, para o conceito B+, atingindo o melhor índice já obtido pelo município, o que facilita a obtenção de crédito e financiamentos em futuros projetos. Na gestão anterior, a classificação estava em “D-“.

Assim, empresas voltaram a se instalar na cidade e a gerar empregos. O ponto alto veio na semana passada, com o anúncio de novos investimentos R$ 1,4 bilhão da Scania na planta da cidade. O valor será utilizado para modernizar a fábrica e produzir novos veículos, como o caminhão movido à gás natural e biogás, que são combustíveis sustentáveis e com custo mais baixo, gerando mais de 500 empregos diretos. A empresa aderiu ao programa IncentiAuto, que prevê descontos de ICMS para quem investe a partir de R$ 1 bilhão -uma iniciativa do governador João Doria que beneficiou nossa região.

A Scania não está sozinha. A Mercedes-Benz, desde 2018, contratou mais de 500 funcionários para a planta de São Bernardo.Transferiu produção de caminhões da unidade de Juiz de Fora (Minas Gerais) para a unidade da região em 2018. A Volkswagen anunciou a produção de dois novos modelos na unidade de São Bernardo: Virtus e Novo Polo.

A Grob ampliou sua planta industrial, da estrutura de 60 mil metros quadrados para 80 mil metros quadrados, aumentando postos de trabalho para a cidade. A Wheaton Brasil Vidros abriu 500 novos postos em São Bernardo, após aquisição da Verescense do Brasil.

Novas empresas também se instalaram na cidade desde o início da gestão, em 2017, como a Aliança Navegação e Logística (Hamburg Sud), a Novemp, a M. Shimizu e a DXC Technology.

A prefeitura também criou o Emprega SBC, que conseguiu qualificar mais de 1200 pessoas para o mercado de trabalho com cursos profissionalizantes, e o Ceitec, que já encubou projetos de 33 startups.

Nunca achei que seria fácil, mas sempre soube que seria possível. Com gestão eficiente, transparência, parcerias e o trabalho dos seus cidadãos, São Bernardo está voltando a ser a terra das oportunidades.

*é prefeito de São Bernardo do Campo