A abertura da reunião da Comissão de Relações Exteriores, nesta quinta-feira (07/03), foi marcada por intenso debate em torno dos requerimentos apresentados pelo senador Alvaro Dias (PSDB/PR) . As proposições do senador tucano requeriam o comparecimento dos ministros Antonio Patriota (Itamaraty) e Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência da República), além do embaixador de Cuba, Carlos Zamora Rodríguez, para explicar recentes intromissões de outros países em assuntos de política interna do Brasil.
O senador Alvaro Dias defendeu a aprovação dos convites afirmando que o Senado é a casa do debate, e a CRE o espaço próprio para discutir tanto a presença do embaixador da Venezuela em ato de mensaleiros contra o STF, como a ação do embaixador de Cuba de divulgar dossiê para constranger e perseguir a blogueira Yoani Sánchez, quando de sua visita ao Brasil. “Nos dois casos houve afronta à soberania nacional, os embaixadores rasgaram a Convenção de Viena, e queremos aqui no Senado ouvir os ministros para avaliar a prática de ilegalidades com autoridades estrangeiras imiscuindo-se em assuntos da nossa política interna”, defendeu o senador tucano.
Na discussão dos requerimentos, o senador Alvaro Dias rechaçou argumentos de parlamentares da base governista, de que o pedido para que as mencionadas autoridades comparecessem à comissão seria “um assunto pequeno”. Para o senador do PSDB do Paraná, assim como o Brasil não vive sob regime autoritário, o Congresso é a casa propícia para o debate e o esclarecimentos de questões que afetam tanto a nossa política interna quanto a externa.
“Não posso aceitar a acusação de que o convite aos embaixadores é um assunto pequeno. Este é um assunto de grandiosidade ímpar, que diz respeito à soberania do nosso País, que não diz respeito a questões partidárias muito menos ideológicas. Não podemos abdicar da nossa responsabilidade de buscar procurar respostas para ações de embaixadores que buscam interferir em assuntos internos. O Congresso é a Casa do debate, então ou debatemos aqui os assuntos que dizem respeito ao nosso País, ou que fechem a porta desta instituição e assumam que vivemos sob um regime autoritário. Nossa atitude de convidar educadamente o ministro e os embaixadores não afeta as relações diplomáticas, longe disso, aprimoram as relações diplomáticas”, argumentou o senador Alvaro Dias.
Respondendo a uma colocação do senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), o senador Alvaro Dias afirmou que há quem atuena política praticando a inversão de valores e a distorção dos fatos, e que , em sua carreira, sempre respeitou as divergências e estimulou o debate democrático. Alvaro Dias rebateu também as afirmações de Arruda de que o PSDB estaria atuando de forma “ideológica” e “partidária” em relação à visita da blogueira Yoani Sánchez ao Brasil.
“Não estamos aqui discutindo ideologia. Não sei a quem o senador Arruda se referiu, mas eu gosto de engrossar a voz com os grandes, não com os pequenos. E foi o grupo de manifestantes que pertence inclusive ao partido do senador que engrossou a voz contra uma jovem fragilizada por sua luta contra a ditadura em Cuba. Ela sim foi afrontada por aquele que deveriam aqui tê-la recebido democraticamente. Rechaço com indignação qualquer afirmação de que nossa atitude tem algum componente ideológico ou de natureza político-partidária. O que preside nossa ação é a responsabilidade pública, o dever de cumprir a nossa missão, de exercer com dignidade o mandato que nos foi conferido pela população, respeitando as divergências. Há os que não gostam da democracia, e não somos nós”, afirmou o senador Alvaro Dias.
Ao final do debate, foi aprovado o comparecimento do ministro Antonio Patriota à Comissão de Relações Exteriores, para falar sobre diversos temas suscitados pelos senadores.
Da Liderança do PSDB no Senado


