Partidarizado, Itamaraty silencia contra escalada nuclear dos aiatolás.
O silêncio do Brasil diante do anúncio do Irã de que a partir desta terça-feira vai enriquecer urânio a 20% e de que vai construir um sistema balístico supostamente superior ao da Rússia é reflexo da influência do PT na política externa do país, aponta o ex-embaixador Rubens Barbosa.
Para ele, enquanto “praticamente o mundo inteiro” condena o governo iraniano, o Brasil continua fortalecendo suas relações e seu apoio ao regime dos aiatolás e ao governo de Mahmoud Ahmadinejad por razões ideológicas.
“O antiamericanismo do PT e sua explícita influência sobre o Itamaraty fizeram com que o Brasil perdesse a cautela com que historicamente defendeu o país. A política externa nunca esteve tão partidarizada e ideologizada como no governo Lula”, criticou Barbosa.
O enriquecimento de urânio a 20% significa um grande passo para a construção de ogivas nucleares. Apesar de alegar que a medida servirá para fins medicinais, países como os Estados Unidos e a França acreditam que o objetivo é a produção de bombas nucleares. Os dois países foram os primeiros a declarar que estudarão sanções ao Irã como forma de pressionar o país a fazer um acordo com a Agência Internacional de Energia Nuclear.
O senador Eduardo Azeredo (MG), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, disse que “os temores com o Irã são justificáveis” e exigem de países como o Brasil uma posição clara. “O Brasil e a Venezuela serão talvez os únicos países do mundo a aceitar o que o Irã está fazendo. Nossa política externa está alinhada aos governos autoritários por força de uma afinidade ideológica que custará caro ao país”, afirmou.
Para o senador Flexa Ribeiro (PA), o Brasil apóia um regime que assombra o mundo inteiro. “O Brasil perdeu uma boa oportunidade de se aliar à países como França e Estados Unidos na condenação da escalada nuclear do Irã. Ao não condenar, ele apoia”. Na opinião do senador, o governo Lula e o PT “parecem ter uma atração fatal por governantes de regimes ditatoriais e que não respeitam os direitos humanos e a democracia”.
Sob fortes críticas dos Estados Unidos, as relações do governo Lula com o Irã tomaram impulso no ano passado com a visita do presidente Ahmadinejad ao Brasil em novembro. Pouco antes, o presidente do Irã havia declarado que o Holocausto não existiu.
Novo encontro entre os dois está previsto para ocorrer em abril quando o presidente Lula deve viajar ao Oriente Médio.
Fonte: Agência Tucana


