Início Notícias do PSDB Após 15 anos, PSDB usa SP como trunfo para enfrentar o PT

Após 15 anos, PSDB usa SP como trunfo para enfrentar o PT

Deu na Folha de São Paulo, no último domingo.

O PSDB completa 15 anos à frente do Estado com uma gestão marcada pelo ajuste das contas públicas -de R$ 32 bilhões de dívida em 1995 para R$ 21,9 bilhões de investimentos neste ano. No entanto não conseguiu cumprir as promessas de eficiência em áreas como Educação -que teve aumento na taxa de reprovação dos alunos na rede pública, no ensino médio, de 9,3% para 17,8% entre 2002 e 2006-, e Segurança. O partido, que derrotou o quercismo e o malufismo nos anos 90, usará São Paulo como plataforma para tentar se contrapor à popularidade do presidente Lula e vencer o PT nas urnas.

Os 15 anos do PSDB no comando do Estado

1995 – Janeiro

Mário Covas assume o governo de SP e diz que em três meses não terá dinheiro para custear a administração. Anuncia um programa de “desestatização” para arrecadar receita

1996 – Dezembro

Covas chega à metade de seu mandato. O governo é considerado ruim ou péssimo por 24% da população

1997 – Setembro

O coronel Claudionor Lisboa é demitido do comando da Polícia Militar em meio a uma crise da Segurança no Estado

1998 – Outubro

Então candidato à reeleição, Covas vai para o segundo turno contra Paulo Maluf (PP), que também teve o apoio do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O tucano lança mão de um discurso duro no campo da ética, recebe o apoio de Marta Suplicy (PT), derrotada no primeiro turno, e vence a eleição com 56% dos votos válidos

1999 – Março

Após licença médica, Covas toma posse com três meses de atraso

2000 – Junho

Na praça da República (região central de São Paulo), Covas é atingido por pedras e paus atirados por professores em greve e sofre um ferimento na testa e outro no lábio

Novembro

O Banespa, principal banco estatal paulista, que estava sob intervenção federal e com uma dívida de R$ 20 bilhões, é vendido para o grupo espanhol Santander

2001 – Março

Covas morre de falência múltipla de órgãos, em decorrência de câncer descoberto em dez.1998

2002 – Outubro

Alckmin vence o 2º turno da eleição contra José Genoino (PT). FHC deixa a Presidência e José Serra, derrotado por Lula, anuncia que irá lecionar no exterior

2004 – Outubro

Serra vence Marta em disputa para a Prefeitura de SP. É a primeira vez que os tucanos ganham na capital paulista

2005 – Julho

Governo de SP implode a antiga Casa de Detenção do Carandiru, símbolo do governo Fleury (PMDB)

2006 – Março

Alckmin vence Serra na disputa do PSDB e sai candidato ao Planalto Serra, então prefeito de São Paulo, anuncia que vai disputar o governo

Maio

A facção criminosa PCC, criada dentro dos presídios paulistas, promove um ataque generalizado no Estado

Outubro

Serra é eleito governador ainda no primeiro turno; Alckmin perde para Lula

2007 – Janeiro

Obra do Metrô (linha 4-amarela) desaba e sete pessoas morrem. Três meses depois, Serra recebe nota 6 dos eleitores ouvidos em pesquisa Datafolha

2009 – Dezembro

Aécio Neves desiste de disputar a Presidência e Serra se consolida como principal nome do partido, com R$21,9 bi para investir em São Paulo em 2010

Sigla ocupou espaço de centro, diz analista

Para cientistas políticos, PSDB venceu o malufismo, conquistou o eleitor conservador com ajuste fiscal e sobreviveu a Lula. Na avaliação de Serra, uma característica importante dos governos do PSDB é que “ninguém quebrou o Estado para fazer seu sucessor”

A experiência do PSDB em São Paulo será o destaque inicial da provável campanha do governador José Serra ao Palácio do Planalto neste ano.

Conforme disseram à Folha tucanos próximos de Serra, se ele confirmar sua candidatura a presidente, terá como prioridade inicial mostrar ao país sua gestão e a de seus antecessores.

Desde que a população voltou a escolher os governadores pelo voto direto (1982), a dinastia tucana em São Paulo já se iguala à do DEM (ex-PFL) na Bahia e no Maranhão, só ficando atrás do domínio dos próprios tucanos no Ceará.

Cientistas políticos e historiadores avaliam que os tucanos ocuparam com o tempo o espaço reservado aos partidos de direita e de centro entre o eleitorado paulista. Na outra mão, sobreviveram à popularidade do presidente Lula.

Para o pesquisador Celso Roma, do Centro de Estudos de Cultura Contemporânea e autor da tese “A Social Democracia no Brasil: organização, participação no governo e desempenho eleitoral do PSDB”, a força da sigla paulista pode ser atribuída ao declínio do populismo de direita no Estado.

“Com o fim do “adhemarismo” e do “malufismo”, o PSDB conseguiu conquistar os eleitores de centro e de direita que valorizam a eficiência na gestão do Estado. A maioria dos votos do eleitorado tradicional foi direcionada para candidatos do PSDB”, diz Roma.

Adhemar de Barros (1901-1969) foi duas vezes governador e prefeito da capital. Ao lado do também governador e presidente Jânio Quadros, foi o principal político populista no Estado dos anos 40 aos 60.

Na avaliação do governador José Serra, a trajetória do PSDB mostra que o eleitor do Estado passou a valorizar a austeridade financeira: “Uma característica importante de todos os governos do PSDB é que ninguém quebrou o Estado para fazer seu sucessor”,
disse.

Orestes Quércia (PMDB) se notabilizou por elevar a dívida de São Paulo, mas conseguiu eleger para o governo, em 1990, seu secretário Luiz Antonio Fleury Filho. Neste ano, Quércia deverá ter o apoio do PSDB para concorrer ao Senado.

Os tucanos surgiram em 1988 de uma dissidência do PMDB. “O acordo do Quércia com o PSDB é um reencontro. A matriz é a mesma”, afirma o líder do PT na Assembleia Legislativa paulista, Rui Falcão.

Em 1994, Covas derrotaria nas urnas o quercismo, mas ainda teria um duro embate com o então ex-prefeito da capital Paulo Maluf em 1998.

O atual secretário-geral do partido em São Paulo e responsável pela sua organização no Estado, Cesar Gontijo, vê naquela eleição um momento decisivo: “Os poucos votos que deram a vitória de Covas sobre Marta Suplicy [PT] no primeiro turno foram decisivos para nossa força no Estado”.

O então governador Covas foi para o segundo turno contra Paulo Maluf com uma vantagem de apenas 74.436 votos sobre a petista, que o apoiou no segundo turno, em uma campanha na qual o tucano evocou a ética para vencer na reta final.

“Até então, nas eleições era importante apenas a realização de obras, “o rouba, mas faz”. Isso, ao que parece, mudou”, diz Marco Antonio Villa, historiador da Universidade Federal de São Carlos, no interior de SP.

Lulismo

Desde 2002, o maior adversário dos tucanos no Estado passou a ser o PT, mas nem a onda Lula foi capaz de dar a vitória a José Genoino (2002) e a Aloizio Mercadante (2006).

Mas, para Celso Roma, a oposição em São Paulo “é fraca tanto nas urnas como na Assembleia Legislativa”. Por esse motivo, “o PSDB e os seus aliados elegeram a maioria dos deputados estaduais, os governadores puderam exercer o mandato com ampla sustentação parlamentar e conseguiram aprovar projetos de seu interesse”.

A cientista política Raiane Patrícia Severino, autora de “A Dinâmica Organizacional do PSDB no Estado de São Paulo”, afirma que a origem do PSDB se encontra na atuação de um conjunto de políticos paulistas: “Esses atores adquiriram projeção política por terem atuado tanto no Congresso Nacional como no Executivo paulista”.

Não por acaso o PSDB de SP teve crescimento de cargos desde 1988, quando elegeu apenas cinco prefeitos. Em 1996, chegou a ter 221 prefeitos eleitos e 1.631 vereadores. Em 2008, 203 prefeitos e 1.128 vereadores.

JOSÉ ALBERTO BOMBIG E FERNANDO BARROS DE MELLO – FOLHA DE SÃO PAULO

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