Agência Tucana
Avaliação é de senadores do PSDB que prevêem problemas com Chávez
Paula ShollSen. Tasso JereissatiBrasília (29) – Senadores do PSDB classificaram nesta quinta como um “equívoco”, um “erro” a aprovação, pela Comissão de Relações Exteriores do Senado (CRE), do protocolo de adesão da Venezuela ao MERCOSUL. “Espero que eu esteja enganado. Esta aprovação irá desintegrar o MERCOSUL”, afirmou o líder da bancada parlamentar tucana, Arthur Virgílio (AM).
Com 11 votos contrários, cinco favoráveis e uma abstenção, a Comissão rejeitou o parecer do relator da matéria, senador Tasso Jereissati (CE), contrário ao ingresso daquele país no bloco econômico. A comissão acolheu voto em separado, favorável ao ingresso, apresentado pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e apoiado por outros nove senadores.
A decisão final cabe ao Senado que deve votar o protocolo na semana que vem. O voto da bancada do PSDB será encaminhado por Virgílio. No plenário, a bancada do PSDB marcará novamente sua posição contra a entrada da Venezuela no MERCOSUL.
Para Virgílio, sob a presidência de Hugo Chávez, a Venezuela deverá se transformar em um problema para o bloco e para o Brasil. “Vamos ver como será a reação internacional em fóruns como o de Doha quando sentarmos para discutir com Hugo Chávez ao nosso lado”, lamentou o senador para quem os parceiros comerciais do país vizinho em nada podem oferecer ao Brasil a não ser problemas por conta do comportamento do seu presidente.
Segundo o senador João Tenório (AL), interesses pontuais do governo Lula estão se sobrepondo à segurança institucional do MERCOSUL. “É um equívoco muito grande a aprovação da entrada da Venezuela no bloco. Chávez é um agente provocador e vai exportar turbulência para os países que já compõem o bloco”, avaliou Tenório. “Vamos desestabilizar o MERCOSUL”, disse.
O senador Tasso Jereissati, que manteve a rejeição ao ingresso em seu relatório, defendeu proposta feita pelo senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) que sugeriu o envio de uma comissão parlamentar a Caracas para checar as denúncias de violação dos direitos humanos no país. Isso seria feito antes da votação do protocolo de adesão. A proposta foi igualmente rejeitada pela maioria governista presente à sessão da CRE.
Tasso afirmou ter se surpreendido com o depoimento do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, opositor de Chávez, sobre o que está ocorrendo no País. Segundo o senador, a descrição do prefeito é muito pior em relação à falta de democracia e ao abuso aos direitos humanos. Foi no depoimento de Ledezma que Tasso soube da invasão de forças chavistas à sede da comunidade judaica em Caracas.
“No período da ditadura militar o Brasil recebia missões internacionais que avaliavam a nossa situação. E nós a recebíamos com entusiasmo. Por isso devemos agora fazer o mesmo na Venezuela”, ponderou. Para ele, se metade do que foi informado por for verdade, o ingresso da Venezuela no MERCOSUL “é uma violação clara de toda tradição da política externa brasileira”, afirmou.
De acordo com o senador Flexa Ribeiro (PA), as violações às regras democráticas no país vizinho são tão flagrantes “que há consenso entre oposição e governo quanto à existência do fato”. Ele lamentou o que considerou de “erro” a aprovação do protocolo de adesão.
Fonte: Agência Tucana


