O líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), anunciou que o partido entrará com representação na Procuradoria Geral da República (PGR) para investigar as denúncias de irregularidades que motivaram a prisão de 38 pessoas ligadas ao Ministério do Turismo, durante operação da Polícia Federal desta segunda-feira.
Tanto na Câmara, como no Senado, o partido já havia protocolado ações e apresentado requerimentos para apurar as irregularidades nos ministérios dos Transportes e da Agricultura onde também já foram detectadas irregularidades que resultaram na demissão de um ministro, no caso, Alfredo Nascimento, dos Transportes, e de um secretário-executivo, Milton Ortolan, na Agricultura.
No escândalo do Turismo, o deputado Fernando Francischini (PR) apresentou requerimento convocando o ministro Pedro Novais na Comissão de Fiscalização. Os tucanos Otavio Leite (RJ) e Rui Palmeira (AL) pediram a convocação de Novais na Comissão do Turismo. Os documentos devem ser votados nesta quarta-feira.
Além disso, o partido ingressará com pedidos de convocação do ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Jorge Hage, e de convite à PGR e ao Tribunal de Contas da União (TCU). Francischini também protocolou requerimento solicitando informações ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sobre a operação da PF.
Nogueira considerou o caso extremamente grave e cobrou punição. “O secretário-executivo está entre os presos por envolvimento em desvios de recursos públicos. Será que a presidente tinha conhecimento dessa ação da PF? O governo precisa mudar urgentemente sua forma de organizar sua base de sustentação”, declarou.
“Os partidos da base do governo estão fazendo nos ministérios o que bem entendem. É um sucessivo rio de corrupção”, criticou o tucano. Ele espera a presença de Hage para explicar onde estão os órgãos de controle interno, que não identificaram a gravidade das ações do secretário preso. Ele já tinha sido acusado de irregularidades no governo Lula.
“Todos os dias um ministério está envolvido em corrupção. A presidente não pode apenas afastar o envolvido. Já que é para fazer faxina, que faça com a devida profundidade. A faxina tem que ser feita independentemente de partido e sim onde houver danos”, cobrou. “É normal que os governos tenham problemas, mas não em todos os lugares. Não é mais exceção. Agora a regra é a irregularidade”, completou.
A Polícia Federal informou que foram detectados indícios de fraudes em um convênio que previa a qualificação de profissionais de turismo no Amapá. O acordo foi assinado entre o ministério e a ONG Ibrasi, em 2009. Segundo a PF, não houve chamamento público para que outras entidades se candidatassem a oferecer o serviço. A polícia diz ainda que o Ibrasi é uma organização sem fins lucrativos que não tinha condições técnicas de prestar o treinamento.
FONTE: Diário Tucano