Pelo 2º ano seguido, fundo global rejeita pedido de financiamento
Brasília (3) A política do governo Lula para a saúde está colocando à prova o prestígio internacional alcançado pelo Brasil na execução do programa nacional de combate à aids.
A avaliação é de parlamentares do PSDB que criticaram, nesta terça-feira, os erros técnicos cometidos pela gestão Lula em duas propostas entregues ao Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária.
As falhas levaram a entidade internacional a recusar o pedido de financiamento de dois projetos, no valor de R$ 90 milhões, com vistas a auxiliar o enfrentamento da aids e da tuberculose no País.
Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, publicada nesta terça-feira, esse é o segundo ano consecutivo em que um pedido de financiamento brasileiro é rejeitado pela entidade internacional criada em 2002.
De acordo com o Estadão, a recusa das propostas chamou a atenção da comunidade internacional. Isso porque, além de ter ocupado papel de destaque na criação do fundo, o Brasil se notabilizou por prestar assessoria a países na preparação de projetos ao Fundo Global.
“É inadmissível que ocorram erros técnicos dessa natureza em uma área tão importante”, afirmou o deputado Lobbe Neto (SP). Para ele, está havendo um forte retrocesso no setor de saúde.
“Quando o governador de São Paulo, José Serra, foi ministro da Saúde [1998-2002], o Brasil se tornou referência mundialno combate à aids e na implantação de genéricos. Mas agora, as coisas estão mudando”, criticou o deputado.
O senador Papaléo Paes (AP), por sua vez, ressaltou que os erros técnicos estão comprometendo o trabalho desenvolvido pela gestão Fernando Henrique Cardoso. “Além disso, estão ocorrendo falhas de divulgação das campanhas de combate à aids. O número de portadores do vírus voltou a subir no Brasil”, alertou.
Conforme relatório do fundo global, o projeto brasileiro para a Aids apresentou sugestões sem indicadores e objetivos. Já o de tuberculose teria apresentado, entre outras falhas, números inconsistentes.
O projeto brasileiro para a aids previa investimentos na infraestrutura e capacidade técnica das ONGs para que elas ampliassem seu trabalho de prevenção com populações de risco.
Já o projeto de tuberculose sugeria ações para melhorar diagnóstico, estudos sobre resistência aos antibióticos e parcerias com sociedade civil para trabalhos de prevenção. As propostas, no entanto, foram consideradas inconsistentes pelo Fundo Global.
Fonte: Agência Tucana


