O site TUCANO.ORG.BR conversou com Plácido Bento de Oliveira, um dos fundadores do PSDB. Ele foi encarregado por Covas de formar os primeiros diretórios do partido na região da grande São Paulo. E mais do que ninguém tem muita história para contar.
Surgimento de um novo partido
Plácido está no PSDB desde a fundação em 1988 e contou como foi a desvinculação do MDB/PMDB e a criação de um novo partido.
Quando resolvemos nos desvincular do PMDB. Um grupo estava descontente com o Quércia, outro grupo em Minas descontente com Nilton Cardoso, foi quando começaram a surgir os primeiros passos para a criação de um novo partido.
Os fundadores diretos do PSDB foram Mário Covas, Montoro, Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Geraldo Alckmin, José Richa, Pimenta da Veiga, Cristina Tavares entre outros nomes. Plácido fez parte da comitiva que foi para a capital: fomos para Brasília com mais de 100 ônibus para discutir política e foi então que fundamos o PSDB.
Primeiros diretórios
Retornando de Brasília, Mário Covas deu ao Plácido a incumbência de montar o partido na região metropolitana e formar os diretórios. O primeiro Diretório Oficial Nacional do PSDB foi na cidade de Suzano em julho e agosto de 1988, o presidente era o professor Paulo Caldas. O segundo diretório foi em Santo André. Trabalhamos com 38 municípios, eu ajudei a organizar todos os diretórios, do escritório do Covas.
Bastidores
Uma das histórias mais engraçadas do Covas que pude presenciar e vivenciar aconteceu em 1990. Nós fomos fazer uma carreata na região leste da grande São Paulo, começando por Ferraz. Tínhamos uma candidata na região que se chamava Marilda e ela promoveu um churrasco e nos convidou.
A carreata inteira foi para o tal churrasco, e quando chegamos lá não tinha churrasco algum e nem vimos sinal da Marilda, aliás, ninguém na cidade sabia de nada. Por incrível que pareça, o Covas não ficou chateado, mas por outro lado, estávamos todos morrendo de fome. Como todos sabem, o Covas era louco por pastel, então encontramos um senhor numa Kombi vendendo caldo de cana e pastel. Ele não pestanejou e começou a pedir. Todo mundo comeu, inclusive acabamos com o estoque de pastéis. E para encerrar a aventura, o Covas me perguntou: você tem dinheiro para pagar”
O PSDB de hoje
Para Plácido o PSDB surgiu de uma maneira um pouco diferente dos outros partidos: o partido nasceu de cima para baixo, de uma cúpula que idealizou o partido. No mesmo ano já disputou eleição com o Serra candidato a prefeito. O partido não começou com uma base, a base foi criando-se e se firmando no dia a dia. O carro chefe para essa formação foi o Mário Covas, ele tinha começo, meio e fim, tinha discurso pra qualquer seguimento, um discurso prático, intelectual. O Mário Covas usava a cabeça e o coração. Sem dúvida a ausência dele prejudica muito o trabalho e incentivo à militância. As mudanças vieram, o partido evoluiu, mas esse grande homem nos dá muita saudade.
Hoje em dia eu enxergo no Geraldo Alckmin a personalidade e estilo do Covas, para mim ele representa essa força.
A reforma eleitoral
Plácido teme que a reforma eleitoral e a lista fechada possam tornar-se uma grande mesmice: essa lista me deixa muito triste, pois ninguém mais vai ter chance, a não ser as pessoas indicadas. Não vai ter renovação, e isso em si já é prejudicial. As ideias serão as mesmas, as mesmas pessoas.
O amanhã
Em relação ao futuro já fui muito mais otimista, principalmente com o âmbito que a política está tomando, muitos partidos não percorrem mais o caminho das ideias e sim dos interesses. Temos bons políticos no PSDB e bem intencionados, mas o sistema em si passa por uma fase de desencaminhamento dos objetivos principais, que visam o bem comum da população.


