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Copenhague: São Paulo mostra política ousada

Para secretário de Meio Ambiente, Serra empurrou agenda nacional

O estado de São Paulo largou na frente e em novembro, enquanto o governo Lula ainda discutia uma proposta para levar a Copenhague, o governo Serra fixava em Lei a meta de redução de 20% na emissão de gases de efeito estufa até 2020. O surgimento da Política Estadual de Mudanças Climáticas (PEMC) fez o governo federal se mexer, diz o secretário de Meio Ambiente, Xico Graziano. Ao lado do governador José Serra, ele está na Dinamarca onde ambos vão mostrar ao mundo o exemplo pioneiro de São Paulo.

Com a PEMC, a redução nas emissões significará que 24 milhões de toneladas de CO2 deixarão de ser emitidas. “O governador Serra, com sua decisão ousada, ajudou a empurrar a agenda nacional. Nós temos metas, queremos chegar lá na frente com menos emissões”, afirmou Graziano.

Leia abaixo uma entrevista exclusiva com o secretário, às vésperas de seu embarque para a Dinamarca:

O Brasil está levando à Copenhague a promessa de reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em até 39% até 2020. Até que ponto o estabelecimento desta proposta tem a ver com a decisão do governo paulista de sancionar uma lei definindo que, no estado, as emissões terão de ser reduzidas em 20% até 2020″ São Paulo acabou por pressionar positivamente a agenda do governo federal”

Xico Graziano – São Paulo definiu uma meta em lei. Não é uma proposta, um programa, muito menos um papel. O governo brasileiro tem papel, tem proposta, tem programa e nem estabeleceu uma meta física de redução. De qualquer forma o governo brasileiro avançou, estava muito tímido. O governador Serra, com sua decisão ousada, ajudou a empurrar a agenda nacional. Nós temos metas, queremos chegar lá na frente com menos emissões.

Enquanto fala-se em redução na emissão de gases de efeito estufa, o Brasil prepara-se para realizar mais um leilão de energia em que, mais uma vez, devem preponderar as termelétricas, o que vai sujar ainda mais a matriz energética brasileira. O Sr. não acha um contra-senso estimular as termelétricas a diesel e a carvão enquanto levamos ao mundo proposta tão ambiciosa de redução dos gases”

Xico Graziano – Francamente falando, quem pensa que reduzir emissões vai frear a economia ou que a resposta está em termelétricas está pensando como nos tempos passados. Uma nova economia está surgindo. Alguns setores provavelmente crescerão menos, mas novos setores serão estimulados. Do ponto de vista da geração de empregos e de renda acho que não devemos temer a agenda ambiental, temos que enfrentá-la e ver enormes oportunidades que vão ser criadas, com certeza.

O que o governo Serra tem feito em relação às emissões cuja origem é o imenso parque industrial do estado”

Xico Graziano – São Paulo está fazendo sua parte. Nós já anunciamos, pioneiramente no Brasil, uma lista das 100 maiores empresas que emitem gases do efeito estufa. A Cetesb já está trabalhando no inventário das emissões. Calculando, não só fazendo estimativas. Ao mesmo tempo estamos estimulando projetos sustentáveis. Nós temos aqui em São Paulo um programa, que vai muito bem, que é do Etanol Verde. Promovemos a produção sustentável da cana-de-açúcar e do álcool combustível.

Um dos assuntos mais sensíveis para o Brasil é a questão do desmatamento. O mundo cobra uma postura mais rigorosa do país em relação à preservação de seus biomas. O que São Paulo tem feito em relação ao tema”

Xico Graziano – São Paulo já virou a página do desmatamento, enquanto o Brasil todo fala do desmatamento nós estamos recultivando, revegetando novas áreas, principalmente as matas ciliares. É uma agenda que já está sendo seguida e agora, na próxima década, será muito trabalho para cortar 20% das emissões de gases do efeito estufa.

Fonte: Agência Tucana

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