Brasília – Os deputados federais João Campos (PSDB-GO) e Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE) criticaram a tentativa do PT de desmoralizar o Supremo Tribunal Federal (STF) devido à condenação de membros do partido no julgamento do mensalão. O presidente da sigla avisou que o estatuto partidário, que prevê a expulsão de condenados pela Justiça por práticas administrativas ilícitas, não será aplicado a José Genoino, José Dirceu e Delúbio Soares. Militantes petistas preparam um manifesto contra o que chamam de “politização” do julgamento pelo Supremo.
A primeira versão do texto afirmaria que as teses construídas pelo STF abandonam a cultura do direito penal, que garante as liberdades individuais. O documento preliminar defenderia, ainda, que houve pressão da mídia para influenciar o resultado.
“Mais uma vez o PT presta um desserviço à nação brasileira, pois não aceita um julgamento feito pela Suprema Corte do país. Um julgamento técnico, decente, assistido pela sociedade e símbolo da reafirmação da democracia”, criticou Campos. Na avaliação do tucano, a contestação do Partido dos Trabalhadores se dá por não existirem argumentos concretos contra as provas que levaram às condenações. “Usam esse tipo de artifício e dizem que o julgamento foi político. Ninguém teve essa impressão a não ser a cúpula do partido, orientada pelo ex-presidente Lula”, apontou.
Para o deputado, ao manter os condenados nos quadros da legenda, sem nem mesmo puni-los internamente, o PT induz a sociedade a desacreditar na Justiça. Para ele, a atitude representa conivência com os crimes cometidos. “Onde vamos parar com isso? É algo lamentável”, criticou.
O presidente do Partido dos Trabalhadores, Rui Falcão, afirmou à imprensa que os condenados não serão expulsos por serem considerados “prisioneiros políticos” de um “tribunal de exceção”. Outros líderes petistas já se manifestaram em defesa dos companheiros e contra o Supremo. O secretário de Comunicação da legenda, deputado André Vargas (PT-PR), disse não se conformar com a decisão e que suas condições “não foram as mais democráticas”. O líder na Câmara, Jilmar Tatto (SP), afirmou que não há motivo para a expulsão dos condenados.
“São fatos que a toda nação tomou conhecimento. Tudo o que foi apresentado é irrefutável e como sempre o PT faz jogo de cena tentando modificar a opinião publica e distorcer os dados concretos. A população irá repudiar isso”, criticou Gomes de Matos. Para o tucano, a falta de ética, transparência e compromisso com a moralidade é algo concreto no partido.
“O PT diz uma coisa e faz outra: prega o moralismo e a ética, mas na hora de expulsar aqueles que roubaram da população brasileira, não expulsam”, disparou, ao criticar ainda a possibilidade de Genoino assumir mandato de deputado federal. Por ser suplente em sua coligação, o petista poderá voltar à Câmara em 2013 com a saída de outros parlamentares eleitos para cargos municipais. Gomes de Matos defende que a situação seja analisada pelo Conselho de Ética da Casa.
Além de Genoino, o ex-ministro chefe da Casa Civil José Dirceu e Delúbio Soares foram condenados por corrupção ativa e formação de quadrilha. O deputado João Paulo Cunha (PT-SP), ex-presidente da Câmara, foi condenado por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro. O Supremo ainda não definiu as penas. O manifesto petista contra as decisões deve ser divulgado após a conclusão das sentenças.
Do Portal do PSDB na Câmara