Início Artigos Doe futuro

Doe futuro

Quem nunca ficou com a sensação de estar sendo usurpado pelo Estado ao pagar um imposto? Isso ocorre porque, além de termos um sistema tributário complexo, que exige muito tempo para entender e cumprir, não há ainda maneiras simples de acompanharmos os investimentos estatais nas suas mais diversas áreas de atuação. “Será que o dinheiro foi, de fato, investido em educação? Em saúde?”

Não saber o destino efetivo do nosso dinheiro gera dúvidas, desânimo e, enfim, a incredulidade na eficiência e eficácia estatais. O que pouca gente sabe é que já há algumas maneiras efetivas de direcionar parte dos impostos recolhidos para ações que você, cidadão, julgar mais importantes para a nossa sociedade.

Por exemplo: até o dia 30 de dezembro, pessoas físicas podem doar até 6% do Imposto de Renda devido ao Fundo Municipal da Criança e do Adolescente (Fumcad). Empresas podem repassar até 1% de seu faturamento sobre o lucro real. É uma maneira simples e eficaz de exercer sua cidadania, participando e acompanhando, efetivamente, a destinação do imposto pago.

A ferramenta é valiosíssima, mas, infelizmente, ainda pouco utilizada. De acordo com o fisco, apenas 1,5% do potencial de doação do imposto devido ao país é cumprido pelas pessoas físicas. A população precisa saber que há um meio legal de contribuir, direcionando para projetos sociais de sua confiança o dinheiro que, de qualquer forma, irá para os cofres públicos.

Fazer a doação é muito fácil. Basta acessar o site fumcad.prefeitura.sp.gov.br e seguir o passo a passo. Quem fizer isso até o dia 30 de dezembro, além de já começar a ajudar a organização de sua escolha e confiança, pode conseguir os benefícios tributários já na declaração do Imposto de Renda de 2012.

Doar para o Fumcad é “fazer o bem olhando a quem”, pois o cidadão tem a opção de escolher para qual entidade doar ou a que projeto ajudar. Dessa forma, o doador consegue entender e avaliar o resultado de sua doação: é a chamada “doação direcionada”.

As organizações cadastradas nos projetos previamente aprovados pelo CMDCA [Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente] atuam nos seguintes eixos: controle social e garantia dos direitos; educação, esporte, cultura e lazer, entre outros. São cerca de 140 instituições, que já beneficiaram mais de 87 mil crianças e adolescentes.

Isso é atuar de forma efetiva na construção de uma sociedade mais justa. O papel do Estado é o de investir, sim, mas é também o de criar e fomentar espaços férteis para ações conjuntas e colaborativas, garantindo políticas públicas integradas pelo desenvolvimento social.

Quando assumi a Secretaria de Desenvolvimento Social do Município de São Paulo (2005-2008), a esmola nas ruas movimentava mais de R$ 25 milhões. Com o apoio do Fumcad, realizamos a campanha “Dê mais que esmola. Dê futuro” e ampliamos em mais de dez vezes o valor arrecadado pelo Fundo. Por isso, conseguimos retirar mais de 2.000 crianças das ruas da cidade.

Doar é dar com responsabilidade, por meio de um órgão que faça um trabalho social sério, que garanta o direito da criança a proteção, educação e seu desenvolvimento integral –alcançado só quando a criança tem acesso a uma infância plena, com possibilidades de brincar, aprender, divertir-se e sonhar.

Proteger as nossas crianças e adolescentes é dever de cada um de nós, que, juntos, temos a responsabilidade de construir uma cidade mais humana, justa, solidária e inclusiva. Vamos fazer a nossa parte?

FLORIANO PESARO, 44, sociólogo, é vereador em São Paulo pelo PSDB.

Artigo anteriorPara Aloysio Nunes, faltou planejamento ao governo na renovação das concessões de energia
Próximo artigoSob risco de crise, STF adia definição sobre cassação de deputados