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Enem, entre as boas notícias

Raul Christiano

Registro a minha satisfação ao constatar que o Enem – Exame Nacional do Ensino Médio foi realizado no último fim de semana de maneira tranqüila, quase exemplar como na época em que foi criado e bem sucedido no governo FHC. Em todas as mídias, durante o domingo (23), era possível reconhecer que as provas aconteceram sem sobressaltos, porque desta vez o MEC – Ministério da Educação foi feliz na gestão, executada pelo consórcio formado pelo Cesp/UnB – Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília e pelos serviços especializados da Fundação Cesgranrio, reocupando o espaço reservado às boas notícias.

Normalmente esse espaço é muito inferior, se comparado com os acontecimentos durante o governo Lula, do vazamento de provas, erros de impressão e edição de cadernos, desqualificação de empresas coordenadoras, insegurança institucional, universidades descredenciando o uso das notas do exame, prejuízos vultosos para os estudantes, as famílias, o MEC e o país. Neste ano, os incidentes foram os normais por ocasião de grandes concursos: estudantes atrasados, alguma confusão com o lugar da aplicação das provas, uso indevido de celulares, abstenção de mais de um milhão de inscritos.

Cerca de 5,4 milhões de estudantes estavam inscritos, cada um com o seu sonho e objetivo traçado, numa época em que a crença nos rumos da Educação no Brasil ainda continua em baixa.

Quero acreditar que os erros espetaculares no Enem (já relacionados), que comprometeram a credibilidade do MEC e do Inep – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, serviram para os acertos e a tranqüilidade. Isso não quer dizer que devemos esquecer as necessárias mudanças para tornar esse acontecimento educacional uma prática ainda mais bem sucedida.

Li nas redes sociais, a opinião de governistas lulodilmaPTistas, comemorando o feito deste ano, com a mesma arrogância dos tempos em que o presidente Lula não reconhecia a reincidência de erros, atribuindo à imprensa (ou PIG – Partido da Imprensa Golpista, como caricatura dos atuais representantes de esquerda festiva) como responsável pela identificação ou criação de notícias sobre os insucessos passados.

Sei que o ministro Fernando Haddad e o Inep apostaram alto nesse resultado positivo, que a meu ver teve a concentração de competências e esforços da Fundação Cesgranrio, bem sucedida em edições de muitos anos atrás. Não vou promover o fato do sucesso, como se fosse o teste de fogo do atual ministro da Educação, que neste momento está bastante preocupado com a sua pré-candidatura a prefeito de São Paulo pelo PT, ou que a influência da presidente Dilma Rousseff foi determinante para os cuidados maiores.

Já escrevi em outra oportunidade sobre a opinião de especialistas educacionais e do ex-ministro Paulo Renato Souza, que foi o responsável pela implantação do Enem, criado em 1998, de que a origem da maioria dos problemas do exame nacional estava na mudança do caráter do mesmo. Ele foi concebido para aferir a habilidade e a competência que os jovens deveriam ter no final do ensino médio, porém o governo federal, a partir de Lula, tentou transformar o exame em vestibular nacional, como num estalar de dedos, sem adotar as devidas medidas preventivas para tanto.

Ao final de 2002, o Enem já tinha uma base de dois milhões de alunos; agora conta com quase três vezes mais estudantes inscritos. Pelo que se observa, importa menos a habilidade e a competência da juventude diante da qualidade do ensino oferecido, para seduzir aos milhares em direção à habilitação para as bolsas do ProUni ou para o ingresso nas universidades.

Por fim, confesso que, quando o tema é Educação, reduzo a zero as preocupações de natureza ideológica e partidária. Políticas bem sucedidas para o setor não devem ser descontinuadas. Aposto e quero que dêem certo, porque assim vamos ter um país melhor de fato, com valores privilegiados e uma Nação caminhando sem sustos. Acredito que o ex-ministro Paulo Renato, a quem tive a honra e o orgulho de assessorar no MEC de 1995 a 2002, onde quer que esteja, deve estar feliz com essa percepção e este registro singular.

O seu idealizado Enem está voltando às origens, pelo menos em se tratando da sua organização e aspectos operacionais, da boa notícia. Salve, Educação do Brasil!

 

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