Lula e Dilma inflam números de programas para enganar sociedade
As promessas de campanha da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do governo à Presidência, devem muito pouco às do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, antes de ser eleito em 2002. Em comum, a verdadeira e velha estratégia de gestão do Partido dos Trabalhadores: a mentira. A avaliação é de parlamentares tucanos.
O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), por exemplo, principal peça publicitária do governo, continua com resultados irrisórios. Após atrasos no cronograma de execução, números maquiados e inflados, o Planalto volta a inovar. Desde outubro do ano passado, os contratos de compra de imóveis novos e usados e, em vários casos, os empréstimos para reforma, são contabilizados como meta cumprida.
Para o senador Alvaro Dias (PR), o programa, apesar do fracasso que se tornou, é usado excessivamente como propaganda eleitoral. “O PAC é um paraíso das corrupções, com obras superfaturadas e desvio de recursos. Além disso, é visível a manipulação dos números. O governo usa a mentira como arma para buscar apoio popular”, critica.
Na divulgação do balanço de três anos do programa, em fevereiro, a Casa Civil diz que os financiamentos imobiliários responderam por 54% das ações concluídas. A construção de casas novas em programas de habitação popular, porém, representou R$ 36,6 milhões (0,01% do total). Para especialistas, ao se apropriar da manobra, o governo infla os números, sem criar nada novo.
Numa clara tentativa de enganar a sociedade, o governo esquece de dizer que é obrigação do sistema financeiro público e privado emprestar, por exemplo, 60% dos depósitos em caderneta de poupança para a compra de imóveis.
O deputado federal Duarte Nogueira (SP) lamenta o uso político que o governo faz do empacado programa. “As casas não estão sendo viabilizadas, por uma série de problemas, que vão do projeto básico, passa por falta de infraestrutura e chega à realização da própria obra”, avalia.
Obras paradas
O Rio de Janeiro, assim como outros estados, convive com a inércia do programa. Apesar de toda propaganda, o presidente Lula inaugurou apenas 25% das obras da Favela da Rocinha. Na unidade federativa, só foram concluídos os empreendimentos de um complexo esportivo, 18,6% do orçamento previsto, e do Centro de Atendimento à Saúde, que representa 7,1% do total dos recursos.
O programa, considerado carro-chefe da campanha governista, não cumpre suas metas de execução nem mesmo no Rio Grande do Sul, onde Dilma Rousseff viveu boa parte de sua vida. No estado, pelo menos 60% das obras já sofreram algum tipo de atraso. Nenhuma das 20 principais previstas foi concluída, e um terço se encontra no papel, em fase de projeto ou aguardando licitação.
Mesmo com todos esses problemas, o governo pretende anunciar em abril a segunda versão do PAC. “O governo não consegue executar nem o primeiro. A ministra Dilma Rousseff tem se mostrado um péssima mãe. O filho está muito mal cuidado, desnutrido”, ironiza.
Falsas promessas
As promessas não cumpridas pelo governo vão além dos limites do PAC. O Plano Nacional de Educação (PNE), conjunto de 295 metas destinadas a nortear as políticas públicas de ensino nesta década, ficou longe de ser cumprido. Em vigor desde 2001, o plano diz que 50% das crianças de 0 a 3 anos deveriam ter atendimento em creches até o início de 2011. Porém, só 18% da população nessa faixa etária frequentavam creches em 2008. No ensino superior, dos 30% dos jovens de 18 a 24 anos que deveriam estar na universidade, os matriculados eram 13,7%, em 2008.
Quanto à geração de emprego e renda, apesar de governar com a economia em condições favoráveis e sem a sucessão de crises (asiática, russa e mexicana) que, por exemplo, foi obrigado a enfrentar o presidente Fernando Henrique Cardoso, Lula prometeu gerar 10 milhões de vagas. Porém, a meta não foi cumprida. Na verdade, segundo dados do Ministério do Trabalho, o governo criou aproximadamente oito milhões de empregos.
Fonte: Ágência Tucana


