O advogado Paulo Sérgio Abreu e Silva, defensor de Geiza Dias dos Santos, disse que sua cliente era uma “funcionária mequetrefe” na agência de publicidade SMP&B, de Marcos Valério. A afirmação foi feita na sessão do STF (Supremo Tribunal Federal) que julga os réus do mensalão.
“Geiza era uma funcionária mequetrefe. Ela era do terceiro escalão, uma batedeira de cheque”, disse o advogado. O argumento de Abreu e Silva é de que Geiza era apenas uma funcionária na agência e, portanto, não tinha participação no mensalão.
Na época do escândalo, Geiza era gerente financeira da agência SMP&B e subordinada a Simone Vasconcellos. Ela afirma que seu trabalho incluía realizar saques e fazer reservas para saques em espécie e nega que soubesse do acordo entre os sócios da agência e o PT.
Questão de ordem
Os ministros do STF rejeitaram, por unanimidade, uma questão de ordem apresentada pelo advogado José Carlos Dias, que defende a ré a ex-presidente do Banco Rural, Kátia Rabello. Ele pediu a suspensão da sessão porque a ministra Cármem Lúcia teve que se retirar do julgamento para participar de uma sessão no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Antes do intervalo da sessão de hoje,Cármem Lúcia anunciou que iria se retirar, mas disse que assistiria amanhã à gravação das sustentações orais. Dias afirmou que, durante o intervalo, conversou com o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Ophir Cavalcante, por considerar que a saída de um ministro é uma “violação à prerrogativa”. “Senão, abre um precedente: grava num CD, leva para casa. Grava o voto dele e entrega para a gente”, disse.
Inicialmente, Abreu e Silva havia afirmado à imprensa que não via problema na ausência da ministra. No entanto, após saber por Dias que a OAB achava que era o caso de levantar questão de ordem, disse que também iria endossá-la.
Simone Vasconcellos
O advogado Leonardo Yarochewsky, que defende a ré Simone Vasconcelos no julgamento do mensalão, citou, durante sessão no STF (Supremo Tribunal Federal) nesta terça-feira (7), as personagens Nina e Carminha da novela “Avenida Brasil”, exibida pela Rede Globo, para criticar o que chama de banalização da acusação de formação de quadrilha.
“Até na novela das oito a Carminha disse que ia processar a Nina por formação de quadrilha. É bonito isso, né?”, ironizou o defensor. As personagens, antagonistas na trama, são vividas pelas a atrizes Débora Falabella e Adriana Esteves (Carminha).
Hoje, a senadora Kátia Abreu (PSD-TO) também citou a novela durante sessão da CPI do Cachoeira, ao dizer que está sendo perseguida pelo grupo do contraventor.
Para o advogado, sua cliente “deveria figurar, no máximo, como testemunha nesse processo”, afirmou o advogado Leonardo Yarochewsky. Segundo ele, faltam provas contra ela. “Chegou a hora de discutir as provas, ou a ausência dela.”
Yarochewsky admitiu que sua cliente distribuiu dinheiros a parlamentares, mas disse que ela não sabia quem eles eram.
“Simone, em momento algum, negou que, a mando de Marcos Valério, entregou várias quantias em dinheiro para vários parlamentares, mas não sabia quem eram esses parlamentares”, afirmou.
De acordo com ele, Simone entregou uma lista com os nomes das pessoas para quem ela entregou dinheiro porque ela pedia recibo “para a segurança dela e para mostrar ao Marcos Valério, porque ela era empregada e o dinheiro não lhe pertencia”.
O defensor afirmou que muitas vezes a ré só sabia para quem entregar o dinheiro pela descrição de roupas. “É a ignorância política; 80% da população brasileira não se lembra em que votou nas últimas eleições.”
O advogado confirmou denúncia da Procuradoria Geral da República ao dizer que Simone chegou a usar carro-forte para sacar o dinheiro. por uma questão de segurança. “As saidinhas de banco acontecem toda hora. (…) Nao há nada de anormal nisso.”
O advogado de Simone Vasconcellos afirma que ela não conhecia os políticos nem os seus assessores para quem entregar dinheiro. “É a ignorância política. 80% da população brasileira não se lembra em que votou nas últimas eleições.”
Yarochewsky disse ainda que Simone Vasconcellos teve a “vida devassada” e não se encontrou nada contra ela. “Ela é mãe de dois filhos, avó de um neto. Teve sigilo quebrado e a vida devassada. Ela não teve nenhum ganho ou vantagem. O seu padrão de vida continuou o mesmo.”
Rogério Tolentino
O advogado Paulo Sérgio Abreu e Silva, que defende Rogério Tolentino, sócio de Marcos Valério, disse, durante sustenção oral, que seu cliente admitiu que recebeu R$ 1,49 milhão da empresa SMP&B em recursos não declarados, prática conhecida como “caixa dois”.
A SMP&B era uma das agências publicitárias que mantinha contratos com o governo federal durante a primeira gestão de Luiz Inácio Lula da Silva e é apontada pela Procuradoria Geral da República (PGR) como envolvida no suposto esquema do mensalão.
“O Rogério me afirmou que recebia honorários da SMP&B no famoso caixa dois, e não contabilizava”, disse. O advogado afirmou que alertou Tolentino sobre a ilegalidade da prática. “Caixa dois é perigoso, pode ter ação fiscal e penal depois.”
Ontem (6), advogados de réus petistas admitiram que o partido fez caixa dois para saldar dívidas de campanha, mas negaram que houve a prática de compra de parlamentares, que ficou conhecida como mensalão.
Durante sua sustentação, o advogado de Tolentino ironizou a denúncia apresentada pela Procuradoria Geral da República. “Essa denúncia é um roteiro para novela das oito”, disse.