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Governo não quer discutir Belo Monte com seriedade

Para tucanos, leilão a seis meses das eleições é precipitado

A construção da hidrelétrica de Belo Monte, um projeto polêmico, no rio Xingu (PA), precisa de uma discussão séria, com debate à exaustão. Não é o que tem ocorrido. Após ficar adormecido por anos, o projeto ressurge no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e já surgiram problemas no que se refere à área ambiental e aos aspectos econômicos, financeiros e políticos.

Sem a conclusão dos estudos de viabilidade em mãos, o governo insiste em realizar o leilão da usina faltando seis meses para as eleições. Na avaliação do líder do PSDB na Câmara, deputado João Almeida (BA), é preciso ter um prazo adequado para colocar substância na proposta, sem atropelamentos por parte do governo federal.

“Belo Monte transformou-se num verdadeiro imbróglio. Falta transparência quanto às providências que estão sendo tomadas: formação de consórcio, preços e construção da obra. A hidrelétrica é muito importante para a geração de energia, mas não da forma como está sendo debatida, sem transparência e às pressas”, critica.

Na verdade, a mais cara obra do PAC, segundo os ambientalistas, colocaria em risco os direitos das 16 etnias indígenas e das seis mil famílias que vivem na região. O plano de construção prevê a inundação de uma área de selva de 516 quilômetros quadrados, afetando 66 municípios e 12 propriedades indígenas.

Os desafios a serem superados são inúmeros, a começar pelo licenciamento ambiental. Os técnicos do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) não garantem a viabilidade ambiental da hidrelétrica.

A principal crítica de ambientalistas está relacionada à capacidade de produção. Belo Monte será a usina menos eficiente entre as grandes hidrelétricas do País, com geração média de 40% de sua capacidade. O aproveitamento é 30% inferior à média das seis usinas brasileiras com mais de 3 mil megawatts. A ociosidade, em função do regime de chuvas do Xingu, é resultado da falta de reservatório, que poderia acumular água para o período de seca.

O projeto se apresenta ainda como economicamente arriscado, motivo pelo qual as construtoras Camargo Corrêa e Odebrecht desistiram de participar do leilão, previsto para o próximo dia 20 de abril. O governo, por sua vez, garante a licitação com ou sem os consórcios privados. Ele quer formar um grupo para se contrapor às empresas privadas, impondo a participação de fundos de pensão de estatais. Podem ser alistados o Petros, da Petrobras; o Previ, do Banco do Brasil; e o Funcef, da Caixa.

O motivo para se leiloar uma hidrelétrica tão polêmica a seis meses das eleições, com um só grupo interessado, é uma incógnita. De acordo com o jornal o Estado de S. Paulo, uma teimosia associada ao interesse eleitoral é a única explicação para o empenho do presidente em colocar em prática a construção de Belo Monte.

O líder João Almeida considera que “isso tudo exibe que o governo não tem estratégia clara para o setor elétrico. Em segundo lugar, mostra que a dona Dilma é um desastre. Belo Monte é objeto de estudo há 25 anos. Agora, a Dilma pegou o bonde andando e não conseguiu em oito anos dar uma solução à oportunidade, porque isso é uma oportunidade importante de geração de energia”, destaca.

Fonte: Agência Tucana

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