Editorial
Quem nunca ouviu o ditado: Em time que está ganhando não se mexe”
É um ditado extremamente eficaz, e tomemos como exemplo o sucesso da privatização da Vale. A empresa foi privatizada em 1997 e tinha aproximadamente 10 mil funcionários, hoje possui o sêxtuplo, 60 mil funcionários. Seu valor de mercado passou de US$ 8 bilhões para US$ 125 bilhões.
Esse tema foi destaque no Editorial de hoje, 15/10, da Folha de São Paulo: Em ataque simultâneo com digitais do Planalto, está em curso plano de reestatizar, para efeitos práticos, a mineradora.
Quais efeitos são esses que a Folha cita” É simples, o PT critica estratégias e desempenho da Vale e já começa a sugerir nomes ligados ao partido para ocupar cargos na mineradora.
Manutenção de cargos públicos. O governo já estourou os gastos com manutenção de cargos e quer transformar a Vale em cabide para os petistas.
Vários acontecimentos conduzem a essa conclusão. No dia 11, em entrevista ao Estado de São Paulo, Eike Batista criticou ações da Vale e assumiu o interesse de tornar-se seu acionista, manifestando apoio à ideia de que o petista Sérgio Rosa, presidente da Previ (fundo de pensão do Banco do Brasil), venha a ocupar o lugar do atual presidente da mineradora.
O PT usa como pretexto para a reestatização o fato da mineradora ter demitido 4 mil funcionários, por causa da crise mundial.
Muito mais que uma ingerência, está em jogo um esforço coordenado para que a Vale venha a ser gerida por figuras simpáticas, associadas ou subordinadas ao governismo. A plataforma mal disfarça a intenção de reestatizar, para todos os efeitos práticos, a companhia.
Tamanho retrocesso não seria novidade neste governo. Não faz um ano, o Planalto patrocinou a compra da Brasil Telecom pela Oi. Foi preciso alterar normas, manobrar resistências na Anatel e conseguir o aporte de dinheiro público, via repasses bilionários do BNDES e do Banco do Brasil para viabilizar um negócio cujo resultado foi o surgimento de um oligopólio nos serviços de telefonia fixa no país.
Concordo com a afirmação que encerra o artigo da Folha: Se há algo que o governo deveria fazer em relação à Vale é retirar, completamente, seus tentáculos da mineradora.
Fonte: Folha de São Paulo


