Militar classificou grupo previsto por programa de direitos humanos como comissão da calúnia Alvo de uma queda-de-braço entre setores do governo federal desde o fim do ano passado, o Programa Nacional de Direitos Humanos provocou a primeira baixa ontem.
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, anunciou a exoneração do general da ativa Maynard Marques de Santa Rosa. Chefe do Departamento-Geral de Pessoal do Exército, o militar afirmou que a Comissão da Verdade uma das propostas do programa para esclarecer crimes contra os direitos humanos durante a ditadura militar (1964-1985) seria formada por fanáticos e viraria uma comissão da calúnia.
O ministro não apresentou justificativa para a exoneração do general, apenas confirmou sua saída:
Acabei de encaminhar ao presidente da República a exoneração do chefe do Departamento-Geral do Pessoal do Exército. Ele está à disposição do comando. O assunto está absolutamente encerrado afirmou Jobim.
Em nota, o Ministério da Defesa informou que a exoneração de Santa Rosa foi motivada pelas declarações do general. Diante do caso, o comandante do Exército sugeriu que a providência solicitada pelo ministro fosse a exoneração do oficial-general, proposta aceita e imediatamente encaminhada à apreciação do presidente da República, diz a nota.
Lula endossou decisão do ministro da Defesa
O ministro da Defesa participou ontem da cerimônia de transmissão de cargo do ex-ministro da Justiça, Tarso Genro, ao seu sucessor, Luiz Paulo Barreto. Jobim e Tarso estão em lados opostos na polêmica criada pelo programa. Enquanto o ex-ministro da Justiça se posicionou a favor do plano, o colega da Defesa ficou ao lado dos comandantes militares e chegou a colocar o cargo à disposição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como forma de mostrar o descontentamento.
Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, Santa Rosa, que é general de quatro estrelas (a maior patente militar) e parte do Alto Comando do Exército, disse que os integrantes da comissão seriam os mesmos fanáticos que, no passado recente, adotaram o terrorismo, o sequestro de inocentes e o assalto a bancos como meio de combate ao regime, para alcançar o poder.
Fonte: Zero Hora


