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Líder do PSDB manifesta preocupação com rumos da economia brasileira e critica discurso ilusório do PT

Aloysio Nunes, Líder do PSDB no Senado

“Existe uma belíssima canção de Toquinho e Vinícius de Moraes, sobre o Carnaval, que diz que tudo se acaba na quarta-feira. Infelizmente, os problemas do País que preocupam a nós senadores, à nossa bancada do PSDB e também ao povo brasileiro, não acabaram na quarta-feira de cinzas, e ao que tudo indica, vão continuar a se repetir”. Foi fazendo esta analogia entre o fim do Carnaval e a crescente e interminável enxurrada de más notícias sobre os rumos da economia brasileira, que o Líder do PSDB, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), iniciou seu pronunciamento na sessão plenária desta quinta-feira (14/02).

Em seu discurso, o senador fez uma contundente crítica à atuação do governo Dilma nas áreas econômica e social, e questionou a afirmação da presidente da República de que poria fim à pobreza extrema no Brasil até março de 2013. Para o tucano, a presidente aplica um “vezo voluntarista” em todos os setores da administração, gerando com isso problemas de confiança e de falta de clareza sobre os rumos na condução das políticas econômica e social do País.

“A Presidente Dilma disse no Piauí, em janeiro, que o governo pretendia pôr fim à pobreza extrema ainda no início de 2014. Já no dia dois de fevereiro, no Paraná, ela acelerou o calendário: não será mais em 2014 mas em março deste ano que será exterminada a pobreza extrema no Brasil. É claro que os jornalistas detectaram uma pequena manobra que decorre do acréscimo de R$ 2 às pessoas que recebem o piso que lhe dá acesso ao Bolsa Família, para escapar do limite estatístico da extrema pobreza. Quem recebe R $70 está na extrema pobreza, mas agora com R$ 72 já não é extrema pobreza. Mas é preciso alertar a presidente que a pobreza não se restringe apenas à falta de dinheiro. A condição da pobreza é cercada de uma série de percalços, de dificuldades, que vão da violência ao tráfico de drogas, esgoto a céu aberto, ruas sem calçamento, moradias precárias, assentamentos rurais precários, falta de atendimento médico. E não me parece que nós estejamos prontos para, já no mês que vem, comemorar o fim da pobreza extrema no Brasil”, declarou o senador do PSDB de São Paulo.

O Líder do PSDB fez um retrospecto no Plenário enumerando notícias recentes que apontam diversos problemas neste começo de ano no País que preocupam a população. Aloysio Nunes lembrou os números desfavoráveis do Produto Interno Bruto (“tudo indica que a anemia do PIB continuará”), da inflação (“que prejudica especialmente as famílias de baixa renda, que gastam grande parte do que ganham com consumo de bens de primeira necessidade”), além de ter lamentado também a balança comercial negativa apresentada em janeiro e a situação difícil pela qual passa a Petrobras, com queda no lucro e na produção.

“A volta da inflação foi um grande acontecimento, desastroso, terrível, especialmente para as famílias de baixa renda. Quer dizer, quem vai tirar o bloco da inflação da rua? Eu não sei. É um bloco apavorante. E o que falar do pibinho, da falta de crescimento econômico, especialmente em alguns setores que são vitais para a criação de bons empregos, para a absorção de tecnologia, para o progresso do País? E para piorar, a indústria brasileira está sendo desmontada, depois de décadas e décadas de esforço para criarmos, no Brasil, um sistema econômico relativamente integrado, com uma base industrial forte. E o desfazimento da indústria se reflete também numa balança comercial negativa. O primeiro resultado do ano, em janeiro, aponta o maior déficit comercial da história. E a Petrobras? Onde é que se analise o balanço da Petrobras de 2012, nós encontramos notícias ruins. Enfim, são muitas as notícias ruins”, afirmou Aloysio Nunes Ferreira.

Críticas ao PT

Aloysio Nunes também fez críticas em seu discurso ao PT, ao dizer que o Partido dos Trabalhadores precisaria fazer uma penitência por conta dos erros cometidos, principalmente no que diz respeito ao mensalão.

“O Partido dos Trabalhadores, fora manifestações esporádicas e isoladas de alguns de seus membros, em nenhum momento, veio a público, para dizer ´nós erramos, essa forma de governar, essa forma de ocupar o governo, essa forma de tecer acordos e alianças no Congresso e fora dele, está errada. É contrária à ética, é contrária à República´. Em nenhum momento. Pelo contrário, o que se tem hoje é uma série de manifestações que culpam a imprensa, que procuram colocar no horizonte a restrição à liberdade de expressão, à liberdade de imprensa”, finalizou o Líder do PSDB no Senado.