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Não é hora de escolher vacina

Por Edson Aparecido

Um fato paradoxal nos assombra: mesmo com toda a informação disponível sobre a importância da vacinação contra a Covid-19, há quem ainda queira escolher um imunizante específico. É preciso que a população entenda, de uma vez por todas, que todas as vacinas disponíveis no Brasil são eficazes, seguras e foram aprovadas pela Anvisa e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Qualquer imunizante, não só contra a Covid-19, pode causar reações, geralmente leves e de curta duração. Já aplicamos mais de 6 milhões de doses de vacinas, entre primeira e segunda doses, e até o momento não tivemos, felizmente, nenhum registro de complicações pós-vacinação na cidade de São Paulo.

Concluída a imunização dos grupos prioritários e com a ampliação do número de munícipes a serem vacinados, essa tentativa de selecionar determinada vacina e rejeitar outra tem se agravado.

Definitivamente, não é hora de escolher vacina. Não se escolhe algo que pode salvar sua vida e a de outras pessoas. Não se trata de uma vitrine de seleção de produtos. A melhor vacina é aquela que você recebe. Só estaremos seguros quando a maior parte dos brasileiros estiver imunizada.

Até que isso ocorra, todos, inclusive aqueles já vacinados, devem continuar respeitando as medidas sanitárias preventivas, como correta utilização de máscara, distanciamento físico e higienização frequente das mãos. Esses protocolos só poderão ser flexibilizados após a imunização da maioria da população.

Outro fator preocupante é que uma parcela dos munícipes não retorna para tomar a segunda dose da vacina. Até o dia 16 de junho, ainda eram 90 mil, mesmo com a força-tarefa que temos feito na rede municipal de saúde para completar a vacinação dos faltosos. Já reduzimos significativamente a quantidade de atrasados, que inicialmente chegava a 197 mil, mas precisamos da colaboração e conscientização dos cidadãos de que é fundamental completar o esquema vacinal para garantir a imunização.

Para otimizar ainda mais o processo de vacinação e facilitar a vida de quem vive na capital, lançamos recentemente a plataforma “De Olho na Fila”, um serviço online que mostra em tempo real o movimento nos mais de 600 postos de imunização que temos e possibilita que o munícipe acompanhe a situação de cada local e vá tomar a vacina no horário e no endereço em que houver menos fila. Desde a última semana, a Prefeitura de São Paulo adotou o escalonamento na vacinação por faixa etária, e o “De Olho na Fila” faz parte dessa estratégia. Além disso, também abrimos o cadastro para doses remanescentes a todos os moradores da cidade maiores de 18 anos de idade, com prioridade para lactantes sem comorbidades com bebês de até dois anos e estudantes e estagiários da área da saúde.

O objetivo é acelerarmos o ritmo e garantirmos proteção ao maior número de cidadãos o quanto antes. Já ultrapassamos a trágica marca de 500 mil mortes por Covid-19 no Brasil, mais de 32 mil delas apenas no município de São Paulo, apesar das efetivas ações da gestão municipal para minimizar os impactos da pandemia e salvar vidas. Estamos há quase um ano e meio vivendo este pesadelo e somente com o bom senso e a responsabilidade de toda a sociedade conseguiremos vencer a batalha.

Vacine-se, por você e por todos. O momento é de escolha pela saúde e pela vida.

Edson Aparecido é secretário municipal de Saúde de São Paulo

Este artigo foi publicado pelo jornal Folha de S. Paulo em 22/06/2021