Início Notícias do PSDB Novo apagão deixa 2,7 milhões de brasileiros sem energia

Novo apagão deixa 2,7 milhões de brasileiros sem energia

Brasília – Os apagões de energia elétrica, que já se tornaram uma marca do governo Dilma Rousseff, tiveram mais um episódio na noite do último sábado (15). A queda de agora deixou mais de 2,7 milhões de brasileiros sem luz, distribuídos em seis estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Acre e Rondônia.

Foi a sexta queda de energia verificada desde o anúncio da Medida Provisória 579, produzida pela presidente às vésperas das eleições de outubro, e que ambicionava reduzir os custos da conta de energia elétrica modificando contratos já estabelecidos com geradoras estaduais de eletricidade – uma situação definida pelo deputado federal César Colnago (PSDB-ES) como “caridade com o chapéu alheio”.

Reportagem do jornal O Globo identificou com especialistas que os poucos investimentos no setor são apontados como os principais causadores dos apagões. “A empresa [geradora de energia] precisa manter seus técnicos de confiança, senão ficará à mercê de erros graves”, falou Luiz Pinguelli Rosa, professor da UFRJ e ex-presidente da Eletrobras, ouvido pelo jornal. A matéria traz também declarações do secretário de Energia do estado de São Paulo, José Aníbal, que afirmou esperar que o apagão de sábado sirva de “alerta” para que o governo federal reveja pontos da MP 579.

Walter Feldman ressalta que setor tem recursos; o que falta é planejamento

Gestão
O deputado federal Walter Feldman (PSDB-SP), integrante da Comissão de Minas e Energia da Câmara, afirma que os apagões são resultado de uma falta de gestão no setor.

De acordo com o parlamentar, dados relatados pelo secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmerman, revelam que há recursos disponíveis para que o setor disponha de uma infraestrutura adequada. Os repetidos problemas vividos no Brasil seriam, então, fruto de falhas no planejamento e na gestão.

“Existe, no Brasil, um grave problema no sistema. A estrutura é fraca, não se consegue dar uma intervenção adequada em momentos emergenciais, e a cada momento em que falta energia assistimos a um desenrolar de desculpas. Parece que o governo não tem a clareza da importância do tema”, afirmou.

Feldman disse ainda que não há como dissociar o problema deste sábado da MP 579. “Ao invés de se preocupar em melhorar o sistema, o governo quis fazer propaganda eleitoral”, ressaltou.

Memória dos apagões
– 2008: no sexto ano de Lula como presidente e de Dilma Roussef como ministra, o país correu um risco de apagão ainda maior do que o de 2001. A revelação aconteceu em janeiro de 2009 e partiu de Jerson Kelman, que estava deixando a direção geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), depois de quatro anos.

– 10 de novembro de 2009: 18 estados (além do Paraguai) e 70 milhões de pessoas ficaram às escuras no país por, pelo menos, quatro horas. Um raio – que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) nunca detectou – teria provocado, segundo as autoridades, a interrupção da energia de Itaipu. Num efeito dominó, a pane desligou 15 linhas de transmissão por todo o país.

– Outubro de 2011: levantamento da Aneel mostrou que 48% das obras de reforço do sistema de transmissão de energia estavam com atraso de 14 meses, em média.

– Agosto de 2012: cada cidadão ficou cinco horas sem luz no primeiro semestre.

– Outubro – um incêndio em um equipamento acessório de um dos quatro transformadores da usina hidrelétrica de Itaipu deixou parte das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além dos Estados do Acre e Rondônia, sem energia por cerca de meia hora.

Artigo anteriorPolítica não pode (e nem precisa) ser sinônimo de corrupção
Próximo artigo“O fim da herança bendita?”, artigo de Armínio Fraga e Edward Amadeo