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O Filme: Lula o Filho do Brasil

Editorial

Analisando o filme de Lula formulei, já no cinema, diversas críticas, e elogios a atuação dos atores. Mas é absolutamente redundante um tucano criticar um filme que praticamente santifica Luiz Inácio Lula da Silva.

Segurei um pouco a ansiedade e comecei a pesquisar opiniões independentes de partidarismo de críticos de cinema. Sinceramente não encontrei nenhuma crítica que tirasse a minha impressão sobre o filme.

Escolhi uma matéria de um dos críticos de cinema mais renomados, Rubens Ewald Filho. Veja abaixo:

O trágico acidente com Fábio Barreto, ainda hoje internado e com risco de vida e sequelas, tira o ímpeto de comentar esta hagiografia que funciona mais como sermão encomendado e tem ranço de Chapa Branca. Afinal, em ano de eleição, nada mais com sabor de culto à personalidade, lembrando tristes momentos de carreira de ditadores como Stalin, Mao Tse Tung, Fidel Castro, Hitler e Mussolini.

Sempre foi o sonho de qualquer ditador ou chefe político ter em suas mãos a máquina de produzir filmes e assim controlar a opinião pública, ou fazer sua cabeça. Afinal, foi o que fizeram os americanos durante décadas vendendo o american way of lifepara o resto do mundo (e no final das contas, com essa arma derrubaram o comunismo, diante do fato de que todo mundo queria viver como os americanos). Mas, sem dúvida, cheira mal ainda mais neste país tão cheio de más intenções e impunes, imitar não só ditadores mas também lideres religiosos (que também e com frequência usaram o cinema para divulgar suas crenças).

Para mim, o filme se aproxima mais dessas biografias de Santos católicos, que parecem predestinados por Deus (aqui não se menciona nunca que força é essa que faz todo mundo ter a certeza de que Lula está destinado a grandes coisas! Será que leram o roteiro antes”). Não é fé religiosa porque ela mal entra na mistura. Nem força de vontade, as coisas acontecem e pronto, ele vai progredindo na vida.

Lula praticamente não tem defeitos grandes (embora em certo momento, juro, ele é acusado de defender os patrões !). E para evitar polêmicas, não se fala em PT (só no plano final tem umas bandeirinhas vermelhas) faz-se questão de separar ele do partido.

Não há duvida que os responsáveis pela criação do roteiro, creditados ou não, sabiam o que estavam fazendo e souberam se inspirar no cinema político soviético, nazista ou mesmo americano (não esqueçam que quando estava ainda no poder, a Warner fez O Herói do PT 109, sobre o heroísmo do Presidente Kennedy/Cliff Robertson durante a Segunda Guerra).

Mesmo sendo um filme B e mal sucedido. E vejam a coincidência: ambos tinha PT, no caso deles, era a barca contratorpedeira que levava esse nome).

Ou seja, o filme é muito bem realizado e se for analisado como cinema, apenas cumpre sua função. Acho mesmo que é o melhor trabalho de Fábio. O elenco é muito bem escolhido e dirigido (incluindo todos os que fazem em diversas idades o Lula, especialmente porém o desconhecido Rui Ricardo, que convence plenamente.

Reparem como ele vai aos poucos adquirindo o jeito de Lula falar, até assumi-lo). Glória Pires é a grande atriz de sempre (e é curioso colocar sua filha no papel da primeira esposa dele). Confesso que não conhecia os detalhes da vida do Presidente e eles são suficientemente dramáticos para justificar uma biografia. Gostei das cenas passadas em Santos (começa com um detalhe clássico, a barca que vem do Mercado por baixo até o cais) e a utilização de cenas de arquivo, nos momentos da greve. Se não é cem por cento realista, se tomam certas liberdades, isso sucede em qualquer filme e é absurdo exigir fidelidade absoluta. Não é documentário, nem quer ser.

Contam uma historia de um quase Messias, sem cair no ridículo, o que já é um milagre. Se vai funcionar como arma eleitoreira não sei dizer. Não trouxe minha bola de cristal.

Filme: Direção de Fábio Barreto. Roteiro de Fernando Bonassi, Daniel Tendler, Denise Paraná, Com Rui Ricardo Dias, Glória Pires, Juliana Baroni, Cleo Pires, Lucélia Santos, Milhem Cortaz, Marcos Cesana. Trilha musical de Antonio Pinto.

http://blogs.r7.com/rubens-ewald-filho/2010/01/01/lula-o-filho-do-brasil/

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