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O papel da oposição

Por Duarte Nogueira

Todo bom governo tem oposição. Quanto melhor for a atuação, maior e mais forte é a oposição. Governos fracos também têm opositores, mas em menor número e muito mais frágeis. Porque é quem incomoda que precisa ser enfrenta­do – e desconstruído. Uma administração que não tem bons projetos, boas soluções é uma gestão que permanece no lugar comum, não acrescenta nada e pouco aparece para os ad­versários. O contrário é verdadeiro. Quem mais faz é alvo de todo tipo de crítica. Até as que nem merecem ser ouvidas.

Mas a oposição tem também papel importante em qualquer gestão. Porque aponta equívocos muitas vezes cometidos de for­ma despercebida pelos gestores. E também mostra questões que a administração nem sempre percebe, não por falta de vontade, mas pela impossibilidade de enxergar tudo a tempo e hora. É claro que a oposição a ser considerada é a que tem consistência, a que critica por desejar uma gestão melhor.

Opositores que apostam na queda do avião porque são adversários do piloto não atuam apenas contra a tripulação, e sim contra todos os passageiros da aeronave. Por isso é preciso bem discernir para encontrar as diferenças entre os que querem o melhor e os que anseiam pelo quanto pior me­lhor. E levar em consideração os que querem a melhoria da qualidade do voo e não os que querem interrompê-lo, mesmo percebendo que o prejuízo pode ser coletivo.

Nossa gestão tem opositores. E podem ser classificados entre os que querem o bem da cidade, da população e até do governo, e os que querem que a administração afunde para que sobre mais espaço político para eles próprios na próxima eleição. Os primeiros merecem consideração e respeito. Preci­sam ser ouvidos e ter suas críticas listadas como pendências a serem resolvidas. Os demais precisam de uma audiência mais criteriosa, mais seletiva, onde se possa descartar as críticas meramente interesseiras, com viés eleitoral.

Porque uma oposição consistente tece críticas, mas caminha junto nos bons projetos, elogia quando entende necessário e apoia quando sabe que todos podem ganhar com determinada ação. E que tem a capacidade de entender que o governo não foi eleito para governar para seus apoiadores, seus aliados, mas para toda a população, independentemente de qualquer condição, credo ou posição social.

E Ribeirão Preto tem bons exemplos de pessoas que se preocupam com a cidade. Estejam elas nos partidos, em al­gum cargo eletivo ou na direção de instituições da sociedade civil. Na Câmara Municipal temos percebido esse equilíbrio. A maioria tem entendido as intenções do governo, mesmo em projetos que poderiam se tornar polêmicos, dependendo da forma de olhar e discutir, e que na verdade, são propostas que precisam ser debatidas e levadas adiante.

É claro que há também os que desprezam o diálogo e preferem uma trincheira sem tréguas onde o governo é o cul­pado permanente de todas agruras vividas em toda a cidade. Estes enxergam os gestores como vilões e aproveitadores. En­contram defeito em tudo. Felizmente eles são minoria e não encontram muito eco em suas posições e afirmações. Porque a sociedade tem bons olhos e ouvidos e sabe selecionar bem entre uma crítica acompanhada de boas sugestões e a afirma­ção com o objetivo único de denegrir.

Estamos preparados para conviver com a oposição, para dialogar, para debater e aceitar propostas. Desde que estes opositores estejam interessados no bem-estar da cidade, no desenvolvimento, no progresso, no bom atendimento das pessoas. Porque é com este foco que trabalhamos, sem ter o olhar fixo nos próximos resultados eleitorais.