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O PT mente como sempre

Opinião Raul Christiano

Nesta semana o PT exercitou um velho hábito durante os comerciais políticos no horário nobre das programações de rádio e TV. Mentiu sem vergonha que o governo Lula investirá R$ 100 bilhões no Estado de São Paulo até 2010. Sua retrospectiva revela uma intenção permanente de “trabalhar o imaginário da população”, como justificou um conhecido marqueteiro (João Santana). Na mentira dessas últimas inserções da sua propaganda política, o PT “omite” que os referidos bilhões de reais totalizam o dinheiro repassado pela União, incluindo despesas de empresas públicas federais e estaduais, empréstimos de bancos federais e investimentos vultosos do Governo do Estado e dos próprios municípios.

Isso faz lembrar que o PT, nos seus 30 anos de existência, dos quais 22 na oposição aos governos federais mente bastante. Nunca na história deste país na oposição ou para tentar se manter na situação houve um partido mais mentiroso que o PT. O escritor Mark Twain costumava dizer que há três espécies de mentiras: as mentiras, as mentiras sagradas e as estatísticas. Pesquisando fatos históricos correlacionados com o comportamento petista, diante das adversidades e enfrentamentos políticos, é possível observar que o PT, de tão acostumado com a mentira, não só acredita nas suas mentiras, como passa a mentir para si mesmo, com uma criativa profusão de argumentos para todas as ocasiões.

Alguém já esqueceu as mentiras elaboradas durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2006, quando o PT tentou e conseguiu colar no PSDB a falsa imagem de que o partido privatizaria a Petrobrás e o Banco do Brasil ” E dos números apresentados durante os programas eleitorais da então candidata Marta Suplicy na disputa da prefeitura de São Paulo” O quê dizer dos discursos do presidente Lula quando sugerem dúvidas quanto à continuidade dos programas sociais como o Bolsa Família e de iniciativas que iludem a população como Minha Casa, Minha Vida”

O PT não tem escrúpulos em massificar as informações na versão e no formato que mais interessam aos seus objetivos políticos. O PT, como escreveu Reynaldo Azevedo, transforma a burla “num método, numa visão de mundo, numa escolha, numa, enfim, teoria política”.

A percepção dos resultados desse trabalho maquiavélico foi assinalada em pesquisa analisada pela cientista social Lourdes Sola, que constatou a capacidade dos governos petistas se apoderarem de realizações como a estabilização da economia (Plano Real), programa de aceleração do crescimento (Avança Brasil), fundo de desenvolvimento da educação e valorização do magistério – Fundeb (FUNDEF) e a rede de proteção social Bolsa Família (que unificou Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Vale Gás e Programa de Erradicação do Trabalho Infantil – PETI).

Mentira é isso, como foi repetida agora na tentativa de se apropriar das obras do Metrô paulistano, realizadas com recursos que vêm do tesouro do governo do Estado e de empréstimo contraído do BNDES, que será pago por São Paulo nos próximos 15 anos. Mentira também é o PT dizer que o Rodoanel é uma obra do PAC federal, prevendo investimentos de R$ 3,6 bilhões, ao omitir que o governo federal entra com R$ 1,2 bilhão e o governo do Estado é responsável pela maior parte, R$ 2,4 bilhões.

Enfim, seguindo ainda a reflexão de Mark Twain, nas espécies da mentira, vale dizer que a candidata do PT, ministra Dilma Roussef, tem afirmado que haverá comparações estatísticas entre os governos FHC e Lula em 2010. Ora, pois, Dilma sabe que nesse terreno o PT tem notória especialização, já que estatística pode ser considerada a arte de nunca ter que dizer que você está errado.

Em novembro e 2006, João Santana, marqueteiro que cuidou da campanha para a reeleição de Lula, desnudou o gen petista e pode ser considerada uma excelente oportunidade para refletir como essa turma manipula as informações e usa a imprensa como ferramenta para seus objetivos eleitorais. Ele desconversou quando o repórter da Folha de São Paulo perguntou se houve “certa desonestidade intelectual” dos lulopetistas ou a criação de uma “mentirobrás”, como expressou Geraldo Alckmin naquela ocasião:

“Não é bem assim. O presidente não foi reeleito por causa da polêmica sobre privatização. O fato é que o adversário teve a chance de responder, mas não o fez. Tivesse ele uma resposta pronta, objetiva, o impacto teria sido reduzido. Alckmin poderia mostrar objetivamente o uso de telefones, de computadores, de internet.

Concluo estas reflexões citando o livro “A Mentira Sagrada”, escrito há milênios, por criaturas primitivas, que inventaram histórias para explicar os fenômenos da natureza que não conseguiam explicar. Por serem primitivos e ignorantes, todos acreditaram na mentira e a passaram adiante através dos séculos. Atualmente, mesmo com a ciência explicando muitos dos fenômenos inexplicáveis, o povo continua acreditando naquelas histórias.

Raul Christiano, jornalista e relações institucionais da Sabesp, foi diretor de articulação com municípios do Ministério da Educação (governo FHC) para implantação do Programa Bolsa Escola Federal. É autor do livro De Volta ao Começo Raízes de um PSDB militante que nasceu na oposição, 2003. Mantém o blog www.raul.blog.br

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