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Pandemia: podemos priorizar o que é essencial

*Por Izaias Santana 

E, de repente, um vírus nos ensinou que podemos, sim, “parar tudo” e cuidar do que realmente importa. Podemos definir prioridade com clareza e redirecionar os recursos disponíveis. Podemos definir critérios de atendimento e colocar “todos os demais” numa única fila. E isso não é pouco…

Nossa história política é um eterno retorno de vícios privados que dominam o cenário público: patrimonialismo, privilégios, exclusões e discriminações.

Veio a pandemia e paramos quase tudo, não sem resistência, claro, mas paramos o que foi necessário para preservar a vida e cuidar da saúde.

Todos os investimentos e projetos foram deixados para um segundo plano e viu-se a abertura de vagas de UTIs, ampliação de leitos hospitalares, criação de hospitais de campanha, aquisição – em tempo recorde – de insumos e vacinas.

Viu-se Prefeitos, Governadores e todas as “autoridades” esperarem, na fila, a vez de tomar a vacina, pela idade ou por ter alguma comorbidade. Viu-se uma sociedade rejeitando os “fura-fila das vacinas”. Isso é muita coisa…

De repente, tomamos consciência de que é possível ser republicano, é possível lutar contra a desigualdade, rejeitar o “jeitinho brasileiro” e ter ojeriza a privilégios.

Assim como estamos nos imunizando contra a Covid-19, que esta pandemia não deixe esses exemplos se perderem.

É possível sonhar que a sociedade brasileira se desperte para enfrentar problemas crônicos: a desigualdade, a condição da mulher, do negro e de todos os “diferentes”, por todo e qualquer motivo.

Estes males, exaustivamente diagnosticados em pesquisas e estudos, já têm políticas públicas de enfrentamento, de todos conhecidas, às quais precisam, finalmente, entrar na agenda pública e nas rubricas orçamentárias.

As políticas universais, sob um pretexto de observância ao princípio da isonomia, precisam ser direcionadas aos que mais precisam. Projetos têm que sair dos programas de governo – elaborados apenas para conquistar o voto –, e se converterem em ações concretas nas Administrações federal, estaduais e municipais.

Experimentamos priorização, republicanismo e isonomia. Que essas ‘doses’ sejam suficientes para mudarmos. Mesmo que seja pouco, já será muito.

Izaias Santana (PSDB)  é prefeito de Jacareí