Opinião Tania Malinski
Algo de extraordinário se passa no Brasil. Algo de extraordinário passará este ano de eleições. Questões em debate nos permitem antever que temas fundamentais estarão em jogo nas urnas. Começamos a crer que uma eleição no Brasil poderá ser mais que um embate entre personalidades, poderá significar uma contraposição de propostas.
Independente de partido, é positivo que o brasileiro se informe e se envolva com temas políticos de caráter programático.
Mas o que parece único no momento que vivemos é algo que ainda vai além do conteúdo político esboçado. É o destaque que vem sendo dado à questão ética que parece algo inédito. Estamos tratando de visões dispares de tratamento da coisa pública, visões dispares de condução do próprio processo político, e, em alguns casos, até visões dispares do compromisso com a verdade. Estamos em um ponto de inflexão com referência a valores.
Qualquer grande nação do mundo se fez com base em algum valor fundamental, algum núcleo conceitual que permitiu uma interpretação verdadeira de sua própria realidade.
Sob este prisma, é óbvio que não será a legitimação externa que trará desenvolvimento ao Brasil. É uma falácia, para não dizer um jogo arriscado, passar a nutrir um autoengano coletivo com base em um selo de aceitação conferido pela comunidade internacional.
O que importa é o povo brasileiro e a vida que leva objetivamente, as opções de existência digna que se apresentam após dois governos do PT. Apesar dos confetes internacionais, o Brasil permanece sem um desenvolvimento autosustentado e seguro.
Há décadas o Brasil se atribui uma imagem construída no mito de Macunaíma. O país do herói sem caráter, que ganha a vida sem muito trabalho e calcando-se na esperteza do famoso jeitinho.
Estamos em um momento privilegiado para por tudo isso por terra. Temos a oportunidade de contrapor duas visões estruturalmente diferentes. A visão que apela para o afetivo sem regra, continuando a alienação coletiva do populismo se coteja com uma visão que atribui responsabilidade ao governante perante a lei e a coisa pública. Uma visão que adapta o compadrio e coronelismo às camadas populares ao lado de uma visão em que a norma vale para todos e onde não há protegidos políticos quando se trata da gestão estatal. Uma visão que trata o político como celebridade ao lado da visão de que cabe ao governante ter autoridade firmada no exemplo. Em suma, a aparência fácil da arbitrariedade contra a dureza inicial que implica a verdadeira liberdade.
Precisamos sim aprofundar questões como a responsabilidade do Estado e da sociedade perante a dívida social, a divida ambiental e tantas outras. Mas a questão que deixo vem ainda antes dessas todas. Que nível de compromisso com a verdade será o que possibilita que o estado e a nação brasileira sejam levados adiante” E essa verdade precisa ser a verdade dos fatos e também a verdade de quem nós realmente somos como nação; a verdade das cifras e números, e também a verdade do dia-a-dia dos brasileiros; a verdade sobre o que realmente buscamos para nós mesmos e para as futuras gerações.
Tania Malinski, PSDB – São Paulo


