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Presidente do Tucanafro quer fortalecer ações afirmativas

Eleita no último dia 12 de novembro a primeira presidente mulher do Tucanafro paulista, Silvia Cibele acredita que o desenvolvimento de ações afirmativas será capaz de propiciar a tão almejada igualdade de oportunidades entre negros e brancos. Em sua primeira entrevista ao site do PSDB-SP, Silvia falou sobre os objetivos do Tucanafro nos próximos dois anos e em como pretendem contribuir para o debate sobre a igualdade racial em nosso Estado. Confira a entrevista na íntegra:

 

Em sua opinião, como o Brasil se enquadra na luta pela igualdade racial? 

A partir da Conferência de Durban, o Brasil tomou várias medidas pela igualdade racial, como a implementação de políticas afirmativas com a lei 12.288/2010 que constitui um importante instrumento para que as desigualdades raciais sejam reconhecidas e abordadas em diferentes níveis de governo, e a Lei nº 10.639/13, que traz o devido aprendizado da história da África e a cultura afrodescendente nas escolas.

A Regulamentação do Sinapir – Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial trazendo a devida regulamentação do Sistema Nacional da Promoção da Igualdade Racial, as cotas nas Universidades, no serviço público no Município de São Paulo, a criação de Secretarias e Coordenadoria de Promoção de Igualdade Racial. A medida considerada mais completa é uma das leis criadas pelo Governo do Estado de São Paulo (nº 14.187/2010) que pune atos de discriminação racial ou cor são avanços.

Você acha que o Brasil ainda é um país racista? Onde podemos observar mais claramente a discriminação em nosso país?

Apesar de todos estes avanços estamos longe em dizer que nosso país está livre do racismo. Os negros recebem salários 47% menores que o não negro. Hoje, a cada três desempregados, dois são negros. Não existem negros em cargos de chefia ou comando em órgãos públicos nem tão pouco no privado. O meio de comunicação e a mídia mediática torna o negro invisível e quando aparece é em situação depreciativa. As abordagens policiais com resultado morte são dos nossos jovens negros. O racismo institucional é uma das mais severas formas de desrespeito e de exclusão da população negra.

Qual a sua avaliação sobre o sistema de cotas raciais?

Não é a solução, mas contribui para acesso dos negros em Universidades e no poder público. As cotas são uma forma da sociedade devolver à população negra os anos em que fomos considerados invisíveis. Sem formação não temos condições de disputar espaços.

A Coordenação de Promoção da Igualdade Racial está elaborando um decreto que será assinado pelo Prefeito de São Paulo, João Doria, que institui o Programa Selo Igualdade Racial premiando empresas que contratarem 20% de negros em todos os seus níveis.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse, em evento do Tucanafro no Diretório Estadual, que o problema da discriminação racial não era dos negros, mas do ser humano de maneira geral. Como incluir a todos nesta luta? 

Quando eu incluo um grupo que historicamente sempre foi excluído, a sociedade ganha em talentos que estavam sendo desapressados. O presidente FHC sempre foi um ativista por direitos e por políticas públicas afirmativas.

Quais serão as diretrizes do Tucanafro nos próximos dois anos? Onde você acredita que poderemos avançar?

Queremos avançar na implementação de Políticas Públicas Afirmativas e na fiscalização, em parceria com os órgãos públicos, das legislações existentes e que são desrespeitadas. Essas ações farão com que os negros tenham igualdade de oportunidade e com isso o seu empoderamento.

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