O primeiro turno das eleições municipais confirmou a força do PSDB nos quatro estados do Sudeste como em nenhuma outra região do país. A expressiva vitória dos tucanos, de 9,3 milhões de votos, que superou os pode ser resumida da seguinte forma: a cada 5 eleitores de Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, 1 apertou o 45 na hora de escolher o prefeito de sua cidade.
Além de voltar a vencer na capital paulista após 12 anos, quando o vencedor da disputa foi José Serra, o PSDB conseguiu um feito inédito ao eleger João Doria já no primeiro turno. Fora isso, saiu na frente nas cinco cidades em que disputa o segundo turno, tanto na Grande São Paulo – com Paulo Serra, em Santo André, e Orlando Morando, em São Bernardo do Campo – como no interior do estado – com Luiz Fernando Machado (Jundiaí), Duarte Nogueira (Ribeirão Preto) e Sidnei Franco da Rocha (Franca). Ao todo, o partido obteve 164 prefeituras e elegeu quase mil vereadores.
Para o deputado estadual Pedro Tobias, presidente do diretório estadual do PSDB em São Paulo, os três municípios do interior são estratégicos tanto do ponto de vista econômico como político. Nas duas principais cidades do ABC, o simbolismo é ainda maior, por serem atualmente governadas pelo PT e terem sido berço do partido. “Temos excelentes candidatos para vencer em Santo André e São Bernardo do Campo e pintar de azul o cinturão antes chamado de vermelho.”
O presidente do PSDB-SP destaca que o partido vai administrar cidades em que vivem mais da metade dos paulistas e o papel do governador Geraldo Alckmin nesse processo. “É um trabalho de construção de anos, pensado de maneira estratégica e conquistado graças ao trabalho e ao bom nome dos nossos candidatos e também à excelente vitrine que temos no Governo de São Paulo”, destaca Pedro Tobias.
Competência versus populismo
Em Minas Gerais, em que o PSDB também tem histórico de ótimas administrações estaduais, soma-se ao quadro o atual “desastre” do governo do PT. São esses fatores, na avaliação do presidente do PSDB-MG, deputado federal Domingos Sávio, que explicam o bom desempenho do partido no primeiro turno. A partir de janeiro de 2017, os tucanos vão comandar 132 prefeituras mineiras – uma população de 2,74 milhões de habitantes -, além de ocuparem 105 cargos de vice-prefeito.
No segundo turno, o PSDB concorre nas três principais cidades do estado. É cabeça de chapa em Belo Horizonte, com o deputado estadual João Leite, e em Contagem, com Alex de Freitas. Com essas duas vitórias, o PSDB passará a administrar diretamente 5,9 milhões de cidadãos mineiros – um terço da população do estado. O partido indicou ainda o médico Antônio Almas para a vice do atual prefeito de Juiz Fora, Bruno Siqueira (PMDB).
“Em Belo Horizonte, nosso adversário adota uma estratégia nitidamente populista, o que precisa ser administrado com muito cuidado. É a tática do proselitismo, sem compromisso com o enfrentamento real dos problemas”, adverte Domingos Sávio, em referência ao adversário de João Leite, Alexandre Kalil (PHS). Ex-presidente do Atlético Mineiro e conhecido polemista, ele tem o apoio velado do governador Fernando Pimentel e do PT na disputa. “Estamos sendo muito atacados, mas espero que consigamos manter a população imune a esse tipo de campanha populista. Na verdade, as pessoas viveram isso na era PT e deu no que deu.”
Belo Horizonte é a quarta maior cidade brasileira, com 2,5 milhões de habitantes. Tem também a quarta economia do país, com PIB de R$ 81,4 bilhões, movimentada principalmente pela prestação de serviços e pelo comércio.
Em Contagem, a aposta do PSDB foi em um candidato jovem, mas profundo conhecedor das demandas do município. “A cidade foi bastante prejudicada nos últimos anos pela administração PC do B-PT. Houve grande crescimento da violência e do desemprego”, explica Domingos Sávio. Alex de Freitas enfrenta no segundo turno o atual prefeito, Carlim Moura (PC do B). “As vitórias em Minas são importantes para o PSDB e para o Brasil. O PSDB cresce e se consolida nos municípios, mas também mostra para o país que tem condições de liderar a mudança que precisamos nesse novo momento em que o Brasil caminha para se livrar do PT”, diz Domingos Sávio.
De olho na região metropolitana
O PSDB conseguiu dobrar o número de suas prefeituras no Espírito Santo, passando de 6 municípios para 12. O desafio agora é ampliar a participação política na Grande Vitória, o que torna essencial a vitória de Max Filho em Vila Velha. “Nossa avaliação é que o partido se saiu muito bem porque, além de dobrar o número de prefeitos, triplicamos o número de vices e também crescemos em número de vereadores. Mas a região metropolitana ainda está sem uma presença mais maciça do PSDB”, reconhece o presidente estadual do partido, Jarbas Ribeiro.
Dentro dessa estratégia, explica, seria importante também a vitória nas duas outras cidades em que o PSDB disputa este segundo turno na vaga de vice-prefeito. Em Serra, o partido indicou Vandinho Leite para compor a chapa com o deputado federal Sérgio Vidigal (PDT). E em Cariacica, o tucano Nilton Basílio é o vice de Geraldo Luzia Júnior (PPS), que concorre à reeleição.
Os três municípios são os mais populosos do Espírito Santo – juntos concentram 35% dos capixabas. Serra, o maior deles, tem 494 mil habitantes e uma economia que movimenta R$ 15,4 bilhões ao ano, sobretudo, na indústria de transformação e serviços. Vila Velha tem 480 mil habitantes e um PIB de R$ 10 bilhões, também majoritariamente industrial. Cariacica, com 380 mil habitantes e economia mais votada para o comércio, tem um PIB de R$ 7 bilhões.
No estado do Rio de Janeiro, o partido faz parte de uma das chapas que disputam o segundo turno em Niterói, na região metropolitana. O tucano Antonio Rayol é o candidato a vice-prefeito em parceria com Felipe Peixoto, do PSB.