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Responsabilidade em tempos de crise

A verdade é filha do tempo e não da autoridade. Apesar de antiga a frase de Galileu Galilei nunca foi tão atual. Ninguém duvida da competência do PT em fazer propaganda. O problema é quando a realidade nos chama de volta do mundo da fantasia. A previsão do FMI que rebaixa o crescimento do Brasil em 2015 para pífio 0,3% faz até mesmo o mais ferrenho militante petista a colocar as barbas de molho. Quem ontem se esforçava para taxar de pessimistas de plantão todos que questionaram a ufanista política econômica, hoje procura argumentos para explicar o pacote de maldades anunciado pelo governo federal.

O ano mal começa e o brasileiro já percebeu que está nas suas costas o peso de – em tempos de crise – bancar a máquina pública que há 12 anos não conhece limites. Ao ressuscitar a Cide (tributo regulador dos combustíveis), o governo do PT garante aumento de R$ 0,22/litro da gasolina. Não há mistério em quem vai pagar esta conta, a própria Petrobrás já admitiu que repassará o valor para as refinarias e que este chegará nas bombas. Se você é pessoa física e pensa em fazer um empréstimo, o Governo Dilma não te esqueceu. O IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) passará a ser cobrado em dobro, chegando em 3%. Janeiro também foi mês da Caixa Econômica Federal deixar mais longe o sonho da casa própria ao reajustar de 9,20% para 11% os juros do Sistema de Financiamento Imobiliário. O que falar então da energia elétrica? Não vamos nem entrar no mérito do grave e mal explicado apagão desta semana. Com a bandeira vermelha determinada pela Aneel, a população passou a pagar R$ 3,00 a mais por cada 100 quilowatt-hora utilizado, um reajuste médio de 17%. Mérito do modo petista de governar, a volta da inflação é uma realidade na mesa do brasileiro. De acordo com IBGE, em 10 anos a inflação do país acumulou taxa de 69,73% medida pelo IPCA. No mesmo período a inflação dos alimentos beirou 100%. Para se ter noção prática do que isso significa, apenas no ano passado, o preço do limão registrou alta de 43,15% nos supermercados.

Não é de hoje que a economia não vai bem e que o cenário mundial nos dá sinais de crise. A questão é como governar durante uma crise. No Brasil, São Paulo mais uma vez dá exemplos ao adotar medidas que muito bem poderiam ser copiadas pelo Palácio do Planalto.

Em seu primeiro ato em 2015, o governador Geraldo Alckmin anunciou o corte de 15% dos funcionários comissionados, a redução de 10% do custeio da máquina pública e o contingenciamento de R$ 6,6 bilhões do orçamento estadual. Em outras palavras, este será o ano de fazer mais com menos. Não de agora São Paulo se prepara para a crise. Em 2014, com a extinção de cargos vagos, a venda de um helicóptero e um avião, o governo estadual conseguiu economizar R$ 130 milhões. Os investimentos foram mantidos, já que o Banco do Povo Paulista bateu recorde e emprestou R$ 225 milhões somente no ano passado. O funcionalismo também foi reconhecido. Enquanto o Ministério da Educação e Cultura fixou em 2015 o piso de R$ 1.919,78 aos professores, desde o ano passado o piso em São Paulo é de R$ 2.415,89 (podendo ter acréscimo de 10,5% por reconhecimento de mérito).

Administrar em tempos de crise é um desafio que exige responsabilidade e acima de tudo, pensar no bem estar do cidadão antes de a si próprio. Afinal, é para isso que os governos são eleitos pelo povo.

* Cauê Macris, 31, é líder da bancada do PSDB na Assembleia Legislativa de São Paulo