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O primeiro debate do 2º turno para a Prefeitura de São Paulo, realizado pela Rede Bandeirantes de Televisão, foi vencido por José Serra, candidato do PSDB. Ao contrário de seu adversário, que se mostrou despreparado para o cargo ao fugir de apresentar propostas, Serra mostrou que tem o que dizer. E disse: apresentou propostas concretas para melhorar a vida de todos na maior metrópole brasileira nos próximos quatro anos.
Ao longo de quase duas horas de programa, que pela primeira vez permitiu a comparação direta entre os candidatos, Serra mostrou que sabe o que diz e que vai fazer ainda mais em temas como Habitação, Creches, Escolas, Hospitais, Mãe Paulistana, Transporte sobre Trilhos, Políticas de Saúde e Acessibilidade para Portadores de Deficiência Física e Ensino Técnico, entre outros.
O debate começou com o tema segurança pública, conforme pergunta sugerida por internauta no site da emissora.
Serra explicou que participará do esforço pela melhoria da segurança pública na cidade aprofundando a parceria com o governo do Estado. Vai reforçar a Operação Delegada, criada por ele quando foi governador em que o município contrata policiais militares para trabalhar em seus dias de folga. O atual quadro de 8 mil policiais envolvidos na ação, quatro mil nas ruas, vai duplicar. “Também vamos trabalhar de forma coordenada com os Conselhos de Segurança, os Consegs, formados por pessoas das comunidades, que conhecem as necessidades de cada local”, disse. Uma terceira prioridade é aumentar a integração entre a Polícia Militar, Polícia Civil e Guarda Civil Metropolitana, inclusive com o uso de câmeras de segurança. “E câmeras cada vez mais entrosadas, vamos usar a tecnologia a favor da segurança”, explicou.
HABITAÇÃO
Ao responder pergunta sobre a política habitacional na administração municipal, Serra explicou que, nos últimos oito anos, São Paulo teve 28 mil moradias entregues, uma ação que se acrescenta a dezenas de milhares de unidades beneficiadas pelo programa de urbanização de favelas. “Transformamos Heliópolis, Paraisópolis, São Francisco e Real Parque e outras favelas em bairros”, disse. “Heliópolis tem esgoto em mais de 90% das casas e isso fomos nós quem fizemos”, afirmou.
O candidato lembrou ainda de seu total interesse de trazer recursos do Governo Federal para São Paulo. “O Governo Federal arrecada aqui R$ 143 bilhões e devolve apenas R$ 2 bilhões”.
CRECHES E ESCOLAS DE LATA
Serra destacou a realização de sua administração em creches. “Na gestão de Marta Suplicy foram feitas umas 15 mil vagas em creches,” disse Serra. O candidato destacou que desde que foi eleito prefeito, em 2005, fez 150 mil. Serra lembrou ainda que Fernando Haddad, quando ministro, teve recursos da presidente Dilma para a construção de 6.500 creches e fez pouco mais de 200, nenhuma em São Paulo.
Serra refutou a afirmação do candidato petista de que a Prefeitura não ofereceu terrenos para a construção de creches financiadas pelo MEC e calculou que ao ritmo de criação de unidades o projeto de 6 mil creches só será completado em 100 anos. O candidato tucano destacou que ao final da administração petista de Marta Suplicy havia na cidade 75 mil crianças em escolas de lata. “Nós acabamos com isso em dois anos,” disse o candidato do PSDB.
Referindo-se à incompetência do candidato do PT em realizar obras e serviços, Serra apontou o fracasso do projeto da criação de universidades federais, citou o caso de Osasco, onde um campus inaugurado há vários anos segue abandonado e se transformou em uma pequena “cracolândia” ao mesmo tempo em que a universidade federal de Guarulhos em vários anos ainda não tem sede e os alunos têm aulas em salas de uma escola infantil emprestada. A falta de instalações levou à suspensão da inscrição de novos alunos para o ano que vem. Tudo porque Haddad foi ruim de serviço no Ministério.
HOSPITAIS
Ao perguntar ao seu adversário sobre ações para as gestantes, Serra, responsável pelo Mãe Paulistana, que já atendeu mais de 650 mil mães e filhos, lembrou que o PT não fez um leito de hospital em quatro anos. “De oito anos para cá, foram 1,8 mil leitos em São Paulo”, disse. “Fizemos muito mais, como o Hospital do Câncer, muito bem avaliado”, lembrou. Um trabalho que vai continuar. “No meu programa de governo estão previstos quatro hospitais privados que vão virar municipais”.
MÃE PAULISTANA
Em pergunta sobre saúde da mulher gestante, Serra observou que o programa de governo do candidato Haddad não tempo nenhuma proposta para as mulheres grávidas. Serra destacou que criou o Mãe Paulistana, programa de grande aceitação das famílias. Agora, o programa será estendido para crianças de até três anos, por mais dois anos, portanto. O atendimento por telefone, que hoje se destina apenas a gestantes de alto risco, será para todas as gestantes. Serra lembrou que as atuais políticas para gestantes diminuíram em 30% a gravidez em moças de até 14 anos.
TRANSPORTES SOBRE TRILHOS
Em seguida, Serra destacou as obras do governo do Estado e da cidade em transportes públicos, com a construção de linhas de Monotrilho e Metrô. Serra explicou que o monotrilho transportará 500 mil pessoas por dia. Serra disse perceber que o PT tem algum problema com Metrô. Lembrou que Marta Suplicy destinou R$ 1 (um real) para o Metrô. Kassab deu R$1 bilhão. “O PT está há dez anos no governo federal, se somarmos os mandatos de governos estaduais do PT, dá mais de setenta anos, e o PT fez um quilômetro de Metrô apenas, em Teresina,” disse o candidato. Serra anunciou que mais três linhas do Metrô e da CPTM estarão em obras de expansão no ano que vem. São quatro, serão sete.
ACESSO PARA DEFICIENTES FÍSICOS
Ao perguntar ao seu adversário sobre propostas para o atendimento a deficientes físicos, Serra lembrou que criou a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, sob o comando da hoje deputada federal Mara Gabrilli, a rede Lucy Montoro, com cinco centros de atendimento a deficientes físicos e acidentados na capital e os mais de 30 Núcleos Integrados de Reabilitação espalhados pela capital.
Como o candidato no PT não apresentou nenhuma proposta na área, Serra destacou que pretende integrar o atendimento da rede Lucy Montoro, famosa pela excelência de seus serviços e pelo uso da mais alta tecnologia de equipamentos, ao trabalho dos mais de 30 Núcleos Integrados de Reabilitação. “A rede Lucy Montoro vai treinar os núcleos, mostrar como trabalhar usando essa tecnologia”, explicou. “Além disso, vamos treinar 100 mil cuidadores para trabalhar com deficientes físicos e idosos em São Paulo”.
ENSINO TÉCNICO
“Sempre dei muita importância à formação técnica e profissional,” disse Serra destacando que como governador, em parceria com a Prefeitura, 40 mil vagas de ensino técnico da cidade. E agora, em parceria com Alckmin, Serra vai elevar as atuais 68 mil vagas de ensino técnico a 100 mil vagas. O ensino técnico que já foi implantado em metade dos CEUs chegará a todas as escolas desse modelo. Será levado ensino técnico também para os alunos do sistema de EJA (Educação de Jovens e Adultos). Enquanto isso, destacou, “o Ministério da Educação não criou nem uma vaga de ensino técnico em São Paulo” durante a administração do adversário no MEC.
TAXAS
Em discussão sobre taxas, Serra lembrou que o seu adversário foi responsável pela criação e pela defesa na Câmara dos Vereadores das taxas criadas pelo governo municipal do PT, que resultou no apelido “Martaxa” para a então prefeita. “Nós eliminamos a taxa do asfalto e fizemos a Nota Fiscal Paulista e a Nota Fiscal Paulistana, que devolve aos contribuintes uma parte do imposto pago”, disse. Serra criticou ainda a idéia do adversário de que a Prefeitura pague a taxa da inspeção veicular dos donos de carro, pois isso vai corresponder a usar dinheiro do cidadão que não tem carro para pagar pelo que tem. “A inspeção veicular é necessária para a cidade e a taxa para isso não vai acabar: pagarão, aos invés dos donos de carros, todos os cidadãos. Vão estatizar a taxa para tirar esse valor de todos os contribuintes”, explicou. “Até quem anda de ônibus vai pagar”.
FINAL
Depois de seus agradecimentos a quem assistiu o debate Serra expressou sua esperança de que tenha sido útil para o eleitor tomar sua decisão.
“Na verdade dediquei minha vida inteira à política,” disse Serra. “Minha meta na política é servir ao próximo.” Serra diz que fica feliz quando as coisas que faz em benefício de alguém dão certo. “E tenho muita coisa feita que deu certo.” Serra lembrou que a política “cobrou um preço alto” dele . “Entre outras coisas, 14 anos de exílio que me mantiveram longe de minha família.” Mas essa longa militância política “como secretário, deputado, senador, ministro, prefeito e governador” deu a Serra muito preparo. Serra encerrou sua participação declarando querer “muito ser prefeito, montar uma equipe séria e competente para trabalhar desde o primeiro dia para fazer de São Paulo uma cidade melhor”.