Vá com a unidade nacional acima de tudo. Você terá uma chave mágica para entrar e sair em todas as questões._x000D__x000D_Com esse conselho, Joaquim Nabuco escreveu ao Barão do Rio Branco, nos primeiros anos de nossa República. _x000D__x000D_Se podemos nos permitir desejar bons auspícios ao PSDB e à sua candidatura à Presidência, é nesse mesmo quadro de preocupações. Porque o desafio está posto: não cair na armadilha de eleger inimigos. O próprio Presidente Fernando Henrique Cardoso está sempre a nos lembrar que na política se tem adversários, nunca oponentes definitivos. Essa é a política que respeita a livre manifestação da opinião, a liberdade e a vida. Precisamos, sim, estar definitivamente ao lado do Brasil e dos brasileiros, das boas idéias e das boas propostas de governo e pensar que, no futuro, muitos adversários se convencerão de nosso acerto._x000D__x000D_O conselho de Joaquim Nabuco espelha também aquilo que foi a vida e a obra de Rio Branco: a opção pelo Direito em face da força; o exercício da autoridade em lugar da arbitrariedade; a defesa dos mais fracos em lugar da lei da selva; o esboço de limites de fronteira como garantias de paz no futuro e exercício tranqüilo da soberania. Cada um a seu modo, tanto Nabuco quanto Rio Branco foram verdadeiros estadistas, promotores do Estado e do povo brasileiro, sem deixarem de ser arautos dos direitos e liberdades fundamentais. O laço de Rio Branco com o povo era de intimidade e de fidelidade, dizia-se totalmente identificado com ele [tanto que sua morte foi capaz de influenciar a data do carnaval no Brasil!]_x000D__x000D_Nos últimos tempos, sentimos que muitos fenômenos sociais têm-se afastado do que seria propriamente política. Representação de interesses diversos, iconoclastia contra o Estado. E o irônico é que esses mesmos segmentos que colocam em cheque a legitimidade da ação pública estão a clamar por um suposto Estado forte que apenas intuem, não sabem bem o que é._x000D__x000D_Entendo perfeitamente que se queira mais estado sob alguns aspectos. Sobretudo as parcelas da população que vivem à mercê de situações marginalizadas precisam de mais Estado. É óbvio que quem não tem acesso a bens públicos quererá um estado mais presente e atuante. Isso apenas confirma que o mercado não dá conta de tudo, o que também não é a tese da social-democracia._x000D__x000D_Para o PSDB, a contraposição da liberdade e da igualdade é um falso dilema. A social-democracia se compromete à justa medida da necessidade de ambos valores. Não queremos uma igualdade ao custo de um estado totalitário porque sabemos que essa igualdade é falsa e não precisamos pagar para ver o que é o comprometimento do direito fundamental à liberdade. Muitos países ingressaram por esta avenida e muitos deles, de livre e espontânea vontade, se convenceram do erro a tempo._x000D__x000D_Tampouco queremos a liberdade absoluta da lei do mais forte, ainda mais em um país marcado pela desigualdade socioeconômica, pois sabemos que isso significa o desamparo da maior parte da população. O poder público em qualquer país é necessário para garantir a unidade de propósitos, de interesses e de direção. Em um país como o nosso, esse poder público tem a missão adicional de promover a justiça distributiva, mantendo o respeito pela justiça contratual._x000D__x000D_Estamos prontos para debater o campo de ação do Estado frente à sociedade, frente ao mercado, frente à imprensa, frente ao chamado terceiro setor. Não há porque temer este debate: o PSDB já demonstrou pelo exemplo que seu alinhamento filosófico produz estadistas, pessoas que representam o interesse nacional, exercem o poder em benefício geral e induzem avanços na sociedade com uma visão de largo prazo e com respeito pelo espaço do direito privado. Nos distanciamos tanto daqueles que confundem serviço público com interesses particulares e minam a autoridade pública quanto dos que se auto-atribuem poderes ditatoriais e criam estados megalomaníacos._x000D__x000D_Também precisamos nos preparar para o falso debate da ‘razão’ contra a ‘emoção’. O apelo emocional gratuito não é o que traz benefícios para o povo. Precisamos resgatar a aliança do racional e do passional, pois nosso povo é passional, mas precisa ter um governo que volte a ter razão e lucidez. A voz das ruas tem um encontro marcado com a competência para governar._x000D__x000D_Sérgio Buarque de Holanda descreveu o brasileiro como o ser cordial, formando um povo movido pelo impulso emotivo mais do que por abstrações. O autor de Raízes do Brasil traça nossa especificidade frente ao povo de origem hispânica e ao mesmo tempo adverte: não se fazem bons princípios com a simples cordialidade. _x000D__x000D_O Presidente Lula encarna, em larga medida, esse homem cordial, que se derrama em emoção e entusiasmo. Por isso tornou-se facilmente um produto para o mercado e para o marketing. O que ele simboliza para o povo em termos de expressão popular não é falso. Somos isso mesmo, gostamos de festa junina, da pátria de chuteiras, choramos de emoção, acolhemos indistintamente outros povos. Mas a Presidência é mais que isso. Representação de interesses sim, mas não interesses setoriais. Interesses nacionais e permanentes, e sem abrir mão de princípios de Direito público._x000D__x000D_Sérgio Buarque de Holanda diz que a verdadeira revolução no Brasil é uma revolução lenta, que se iniciou com a transferência da população rural para as cidades, que foi substituindo nossas raízes ibéricas pela influência norte-americana, em um movimento que vai do oligárquico ao estatal, do particular ao geral. Sem querer entrar no mérito desta análise, o que ele defende e que eu concordo ao final, é que falta um elemento NORMATIVO ao povo brasileiro. O tal commitment que muitos outros povos conhecem. Compromisso. Visão de que aquilo que é público é de todos e não de ninguém. Res publica, e não res nulius. O desenvolvimento brasileiro está a depender disso, da ampliação da cidadania e da qualificação desta cidadania. A revolução no Brasil é a depuração do processo político de modo a criar um referencial único de cidadania por meio da norma e do valor._x000D__x000D_No momento que vivemos, parecem existir duas pautas de valores, uma delas construirá um Brasil forte, a outra irá minguando a autoridade do estado e dividindo a sociedade. A união de todos que querem a grandeza do Brasil é que poderá reestabelecer uma governança dos interesses nacionais por parte de uma equipe comprometida com o país e que também tem sabedoria e visão histórica do processo de desenvolvimento._x000D__x000D_O Estado brasileiro não precisa ser refundado. Refundar, no fundo, é destruir. Precisamos, antes, de um resgate do espaço e do poder público no Brasil, como um espaço de nobreza de caráter, de desapego e despreendimento, de serviço a ideais e ao bem comum. O respeito à norma o marco normativo de Buarque de Holanda irá se fortalecendo à medida que o povo que sente falta da presença do Estado, for sentindo seus anseios vocalizados e atendidos. Para isso também será exigido do povo: que saiba discernir entre o discurso vazio e as boas práticas e que queira acompanhar o desenvolvimento do Estado._x000D__x000D_Desenvolver é mudar a estrutura, mas sem alterar a essência de algo. Desenvolver é acrescentar qualidade e ter um marco de valores como fundamento. O PSDB tem espinha dorsal sim, tem bandeira, tem valores, porque é um agrupamento que parte do que é vertebrado e humano. Não temos verdades acabadas para vender ao povo como ilusão isso é desumano. E estamos tão comprometidos com a justiça e a inclusão como muitos_x000D_outros, que esperamos um dia reagrupar numa Unidade nacional, acima de tudo, como dizia Nabuco e como bem defendeu Rio Branco._x000D_


