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Você não gostaria?

José Aníbal

Um dos efeitos mais benéficos das prévias do PSDB para a Prefeitura é a participação política. Começamos este processo sob a desconfiança de alguns e a descrença de muitos. O que se vê agora são reuniões e debates com auditórios lotados, agitação nas redes sociais e dezenas de perguntas para responder todos os dias por email.

É a mobilização do cidadão comum, que até então mantinha distância da vida partidária. É nisso que nós temos que apostar. Nesta capacidade de reunir, de tocar o nervo mais sensível da sociedade, que é o dia a dia das pessoas. A gente sente que a base social para a boa política está crescendo. Tem mais gente pensando junto. E mais gente chegando.

Foi ouvindo os interesses da sociedade, por meio de diferentes manifestações, que os países desenvolvidos conseguiram criar redes de serviços públicos eficientes. É a população que deve apontar as prioridades. Aliás, a tendência é que as pessoas se envolvam cada vez mais. Em São Paulo, as Subprefeituras deveriam ouvir e compartilhar as metas de políticas públicas com a comunidade.

As Subprefeituras tinham de ser o espaço das preocupações comunitárias reais, do planejamento urbano focado no micro, da autonomia para incentivar o empreendedorismo local. Mas isso se perdeu. É preciso reestruturá-las, fazer delas Prefeituras Distritais, com atribuições amplas, gente da região no comando e abertura à participação.

As ações em educação devem levar em conta a opinião de pais e mestres, e assim com a saúde e a assistência social. Por que não discutir nos bairros os desafios da habitação e da regularização fundiária? O poder público seria mais eficiente, transparente e democrático se houvesse mais participação.

É bom lembrar: perdemos mais de 2 horas por dia no trânsito. Uma mulher tem de esperar 80 dias por uma mamografia. E vinte pessoas entram na Justiça diariamente em busca de vagas nas creches da capital. Você não gostaria de discutir essas questões com o político que pede o seu voto?

 

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