Andrea Matarazzo
Considerado por muitos historiadores como o primeiro bairro de São Paulo, Pinheiros é um lugar que resume a cidade. Do comércio a vida cultural, tudo é intenso na região. Morei lá quando criança e acompanhei de perto o crescimento do bairro, que acompanhou o ritmo da metrópole.
O Mercado Municipal continua bonito e oferecendo produtos de qualidade. Quando estava na Prefeitura, lembro que ainda vendiam frangos vivos. Inaugurado em 1910, o Mercado de Pinheiros reuniu os primeiros varejistas e também um galpão para os atacadistas de batatas – de onde surgiu o nome Largo da Batata. Com a ampliação da Avenida Brigadeiro Faria Lima, em 1975, mudou de lugar, mas segue em pleno funcionamento.
Da infância, no lugar em que hoje está o Shopping Iguatemi, era uma chácara da minha família, onde eu ia comer castanhas. Lá, havia também um grande viveiro com uma onça pintada. Da chácara, saía a pé até a Rua Iraci, que era de terra, e lá me obrigavam a tomar leite de cabra todos os dias de manhã, porque diziam que fazia bem à saúde.
Onde é a Brigadeiro Faria Lima, há 40 anos, era a Rua Iguatemi, estreita e toda de paralelepípedo, por ali passavam os papa-filas (só lembra deles quem tem mais de 50 anos). Também tenho lembrança de andar até os barrancos do Rio Pinheiros. Sim, a Marginal não existia e, antes do rio, só havia barrancos.
A rua onde morei, Iramaia, permanece intacta, com as casas do mesmo jeito que guardei na memória. Em uma travessa da Rua Venceslau Flexa, em uma bonita praça, fica a Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, onde estão os lindos afrescos do artista Samson Flexor. Atrás da igreja, na Rua Sampaio Vidal, ficava a farmácia do seu Gustavo, que dava ótimas – e doloridas – injeções contra a gripe.
É impressionante ver como o bairro se transformou. Da mesma forma que São Paulo tornou-se a maior metrópole do Brasil, Pinheiros, tão bucólico e tranqüilo, hoje é um dos principais centros de negócios, lazer e cultura da cidade.