O deputado estadual Celso Giglio (PSDB-SP) foi eleito para presidir a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Cursos de Medicina, que começou a tramitar na semana passada na Assembléia Legislativa. A proposta é investigar a proliferação dos cursos, cujos efeitos sobre a qualidade dos serviços prestados pelos profissionais de saúde ainda não foi objeto de uma apuração criteriosa.
Segundo a justificativa da CPI, avaliações preliminares têm inspirado muita preocupação com a qualidade dos cursos oferecidos. “Se mesmo nas escolas tradicionais o nível de ensino tem declinado, nos cursos mais recentes voltados à área da Saúde, é comum que se perceba a ausência de requisitos mínimos para uma formação adequada”, explica Celso Giglio.
Ele lembra que em muitos cursos criados recentemente não existe no corpo docente profissionais com experiência necessária ao exercício do magistério, ao mesmo tempo em que há carência de meios adequados à manutenção de cursos de pós-graduação ou de qualquer atividade de extensão universitária, essenciais para boa formação do aluno.
O professor titular da Disciplina de Clínica Geral e presidente da Comissão de Graduação da Faculdade de Medicina da USP, Milton de Arruda Martins, declarou recentemente que os problemas com a formação de novos médicos são variados, e vão desde currículos em que os problemas principais de saúde não têm a ênfase adequada, a currículos que são focados apenas em diagnósticos e tratamento de doenças, com a falta permanente na promoção da prevenção, reabilitação e reintegração do paciente à sociedade.
“Mesmo admitindo que tais problemas não sejam peculiares à Medicina, é preciso lembrar que falta à profissão médica qualquer forma de seleção prévia ao ingressar na carreira, por exemplo, como o exame da OAB para os advogados, a fim de evitar que pessoas despreparadas venham a macular a boa reputação do profissional”, afirmou Celso Giglio.
A CPI dos Cursos de Medicina é composta por mais oito deputados e as reuniões vão acontecer sempre às quintas-feiras.