Brasília (DF) – À medida em que as delações dos executivos da Odebrecht se tornam públicas, a situação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se complica ainda mais. Em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF), um ex-diretor da empreiteira confirmou aos procuradores que pagava uma mesada a um dos irmãos do petista. As informações são da revista Veja desta semana.
A empreiteira admitiu ainda outras “mordomias” a Lula, contrariando a defesa do ex-presidente. Segundo a reportagem, a empresa confessou que pagou pela reforma do sítio de Atibaia (SP), frequentado pela família de Lula. A obra custou R$ 1,5 milhão e contou com uma série de luxos, como cozinha gourmet, pedalinhos de cisne em um lago e uma miniatura do Cristo Redentor.
A Odebrecht também afirmou que comprou um lote para abrigar o Instituto Lula e financiou palestras do ex-presidente. A empresa teria comprado um imóvel em São Paulo, em 2010, onde seria construída a nova sede do instituto. A negociação, de acordo com os delatores, foi intermediada pela DAG Construtora, que recebeu R$ 7,6 milhões da empreiteira naquele ano.
Além disso, a construtora ainda teria “patrocinado” o filho mais novo do petista, Luis Cláudio Lula da Silva. A empresa teria pago um orientador de carreira para ajudar o caçula de Lula a colocar de pé a empresa Touchdown Promoções e Eventos Esportivos, que organizava um campeonato de futebol americano.
No mês passado, o patriarca da empreiteira, Emílio Odebrecht, afirmou que a construção do Itaquerão, estádio do Corinthians, foi mais um presente a Lula em retribuição à suposta ajuda do petista à empresa em seus oito anos no Planalto.
De acordo com o depoimento, todos os “favores” teriam ocorrido a pedido do ex-presidente.