O 1º Seminário de Engenharia e Arquitetura Sustentável do Litoral Norte superou as expectativas dos organizadores e reuniu de quinta a sábado último, mais de 300 pessoas, entre profissionais, técnicos e estudantes dos cursos de Arquitetura e Urbanismo, Engenharia de Produção e Gestão Ambiental da região.
Organizado pela Associação de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos – AEAA de Caraguatatuba, entidade que acaba de completar 32 anos de trabalhos prestados na cidade, o Seminário objetivou a capacitação dos profissionais que atuam no litoral norte e contou com as parcerias do CREA-SP (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de São Paulo) e do Centro Universitário Módulo/Unicsul.
O Seminário foi aberto dia 1º de outubro, no Espaço Mandhala, com coquetel e presença de secretários municipais, representantes de diversas entidades como associação comercial, imprensa e profissionais afins. Na abertura, foi passado o vídeo O Poder da Visão que ressalta a capacidade de sonhar e realizar dos seres humanos e os ex-presidentes da Associação receberam uma homenagem com o título de sócio honorário da entidade de classe, entre eles: Raul Pesci Junior, Odair Tadeu Bisan, Célia Buccolo Ballario, Nilton de Oliveira e Silva, Paulo André Cunha Ribeiro, José Cláudio da Silva Lopes, Ricardo Medeiros Analha e Paulo Hamilton Telles Filho.
O arquiteto Paulo André Cunha Ribeiro, coordenador do Seminário, abriu o evento questionando o perfil dos engenheiros e arquitetos no século XXI. Precisamos de novas ações para novos tempos. Discutiremos isto nos três dias de palestras, confirmou. Ele ainda opinou sobre a possível separação das habilitações de Engenharia e Arquitetura, enfatizando que o mais importante é unir esforços. É gratificante ver hoje, os profissionais confraternizando juntos.
O arquiteto Paulo Hamilton Teles Filho, presidente da AEAA de Caraguatatuba, informou que Caraguatatuba foi à primeira Associação do Estado de São Paulo, a instituir a Caderneta de Obras emitida pelo CREA, o que facilita o trabalho dos profissionais e a fiscalização das obras.
A professora e coordenadora dos Cursos de Arquitetura e Urbanismo e Engenharia de Produção do Centro Universitário Módulo/Unicsul, Tatiana Roseli Ribeiro, representando o pró-reitor acadêmico Mauricio Ribeiro e o reitor Daniel Carrera, desejou que este 1º Seminário seja o primeiro de outros que possam vir. O seminário deve contribuir para aumentar a responsabilidade sustentável dos profissionais.
O vice-prefeito Antônio Carlos da Silva Junior ressaltou a importância da orientação de engenheiros e arquitetos nas questões de políticas públicas da cidade. A mesa de abertura do Seminário ainda contou com a presença do engenheiro José Tadeu da Silva, presidente do CREA – São Paulo e do engenheiro Hélio Rodrigues Seco, presidente da FAEASP Federação das Associações de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos do Estado de São Paulo.
PALESTRA MAGNA
O Seminário foi aberto com a palestra magna do engenheiro José Tadeu da Silva, presidente do CREA – São Paulo que falou do Sistema CONFEA/CREA e da importância dos profissionais da área tecnológica para o desenvolvimento com sustentabilidade. Todos profissionais registrados no CREA que exercem seu notório saber de forma competente, beneficiam a sociedade em geral.
José Tadeu da Silva informou que o CREA possui 400 mil profissionais, caracterizando como uma das maiores confederações do país. Influímos em 70% do PIB Produto Interno Brasileiro. Nosso papel é habilitar para o exercício da profissão e fiscalizar as ações dos profissionais. Um bom profissional, segundo Silva, é aquele que transforma os recursos naturais em bens para as pessoas, sem causar danos ambientais. O CREA protege a sociedade do mal profissional, aquele que não tem disciplina, nem ética.
A cada 15 segundos uma inovação tecnológica é feita no mundo. A informação dada por José Tadeu da Silva, contextualiza a velocidade das mudanças tecnológicas e o fato de que o exercício da profissão está globalizado. Uma nação desenvolvida não se faz sem engenharia. As transformações da sociedade daqui pra frente, passam por três eixos: inovação tecnológica, sustentabilidade social e sustentabilidade ambiental. É inconcebível um projeto que cause danos ambientais, conclui o presidente do CREA-SP. Ele afirma ainda que: A importância social do setor está no fato dele gerar uma cadeia de empregos.
MAIS PALESTRAS
O segundo dia do 1º Seminário de Engenharia e Arquitetura Sustentável do Litoral Norte, 2 de outubro, foi repleto de palestras que tiveram como palco o Auditório do Centro Universitário Módulo, Campus Centro.
O engenheiro e consultor sênior Plínio Thomaz, autor de oito livros acadêmicos sobre o aproveitamento da água de chuva, mostrou em sua palestra, os países e projetos de edificações que armazenam a água da chuva e a tornam potável. Tem postos de gasolina na capital paulista e nas cidades do interior, que reutilizam a água pra lavar os carros e com isso diminuem pela metade a conta e ainda contribuem para que não falte água a quem precisa, ilustrou.
Para Plínio Thomaz, a água da chuva deve ser usada onde: não há disponibilidade hídrica, as tarifas são elevadas, o retorno do investimento seja rápido, existam leis específicas, em locais de estiagem e regiões com índice de aridez alto. No litoral norte paulista a água não é cara, portanto somente empresas e casas com mais de 250 metros quadrados devem pensar num sistema de aproveitamento de água de chuva, concluiu.
O técnico sanitarista da Sabesp, Antonio Dirceu Pigatto Azevedo, passou algumas soluções alternativas de saneamento básico, dando exemplos de projetos como os de abastecimento de água na Escola do Poço das Antas, em Caraguá, na Escola do Puruba, em Ubatuba e na comunidade isolada da Ilha Montão de Trigo, em São Sebastião. Para instalar uma estação de tratamento de água com capacidade de atender até cinco residências, o valor a ser investido por cada casa é de pelo menos R$ 3.200. Isto é aconselhável em locais de difícil acesso e em outros casos, explicou.
Dirceu Pigatto disse ainda que cada U$ 1,00 aplicado em saneamento básico economiza U$ 4,00 em Saúde, e que a cada 8 segundos morre no mundo uma criança por doença relacionada à água. Queremos mostrar que transformando água bruta em potável, estamos contribuindo para a melhoria da qualidade de vida.
No período da noite, o arquiteto Marcelo Bueno do IPEMA-SP (Instituto de Permacultura da Mata Atlântica) abordou o tema das ecovilas e outras construções sustentáveis. Os moradores da ecovilas cuidam da própria água, tem responsabilidade de produzir energia, cultivam alimentos orgânicos, constroem suas casas com materiais naturais e sem causar
impacto na natureza, esclareceu.
O administrador e técnico da Petrobras, Fabio de Andrade que atua no CONPET – Programa Nacional de Racionalização do Uso dos Derivados do Petróleo e do Gás Natural, vinculado ao Ministério das Minas e Energia, traçou um esboço dos prós e contras das alternativas energéticas no país. O futuro do Brasil é substituir a gasolina pelo etanol (álcool), porque o petróleo não vai ficar mais barato com a exploração do Pré-Sal. Devemos investir mais em pesquisas e novos produtos com energia solar, eólica, biomassa, biogás e outras.
O pró-reitor do Centro Universitário Módulo/Unicsul, arquiteto Maurício Ribeiro da Silva, abordou o tema da formação dos profissionais da área tecnológica e o futuro da região. Ele falou das perspectivas futuras no Brasil, um país cheio de possibilidade e com grande capacidade de reinventar. E para chegar a este cenário, precisamos oferecer aos nossos jovens, um ensino superior que trabalhe as diversas áreas de conhecimento. Importante é ensinar a pensar, ensinar os alunos a terem atitudes. Se queremos um país ecológico, precisamos começar a alinhar os professores das escolas básicas, fundamentais e superiores. Se queremos ser esta potência ambiental, precisamos criar programas como o Conpet, sugeriu.
No dia 3 de outubro, último dia de Seminário, o arquiteto Paulo André Cunha Ribeiro, fez uma apresentação das grandes obras em andamento na região como a implantação da Base de Gás em Caraguatatuba. Ele falou das questões das áreas congeladas devido as ocupações irregulares na região, do desenvolvimento sustentável que pode ser atingido com o plano diretor participativo, do planejamento que está sendo traçado na atualidade e sua aplicabilidade.
Paulo André fez um paralelo do crescimento atual em Caraguá com o crescimento desordenado ocorrido na cidade de Macaé no Rio de Janeiro, cujas explorações de petróleo começaram em 1976, e somente após 17 anos, a cidade passou a receber os hoyalties e melhorias. O orçamento de Macaé este ano atingiu a casa dos R$ 1 bilhão e mesmo assim, a cidade ainda sofre com problemas básicos de infra-estrutura básico e desigualdade social.
Mais informações no site: www.aeaac.com.br


