Início Saiu na imprensa Um governo ‘estratégico’, por Elio Gaspari

Um governo ‘estratégico’, por Elio Gaspari

Madame Natasha tem horror ao uso de expressões que não querem dizer nada e, com um significado vago, destinam-se a empulhar a plateia, complicando a conversa. Dor de cabeça vira cefaleia. A doutora Dilma louvou duas operações militares e policiais que fazem parte do “Plano Estratégico de Fronteiras”. Outro dia, ao justificar o perdão de uma dívida de US$ 900 milhões de cleptocratas africanos, disse que “o engajamento com a África tem um sentido estratégico”.

A Presidência da República, assim como diversos governos estaduais, tem uma Secretaria de Assuntos Estratégicos. Quase todos os ministérios tem programas de “gestão estratégica” e o do Planejamento oferece o software Geplanes, destinado a “monitorar o desempenho dos objetivos estratégicos”. Trata-se de puro blá-blá-blá, destinado a confeitar promessas ou, na melhor das hipóteses, desejos. Dizer que a economia brasileira crescerá 4% num determinado ano nada tem de enunciado estratégico. É apenas um objetivo, quando não, pura mentira. A empolação destina-se apenas a envernizar o comissário que anuncia o rio de mel. Leia AQUI.

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